Uma das lendas urbanas mais conhecidas de Belo Horizonte, a Loira do Bonfim ganhou nome e história em uma releitura da personagem mitológica. A obra “Noiva entre Túmulos” é da escritora Paloma Bernardino Braga, doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O livro une terror a uma temática sobre a violência contra as mulheres e aborda a capital mineira na década de 40. “Fiz uma releitura, tentei dar uma história a essa personagem. Quem era essa loira e por que ela rondava o cemitério do Bonfim?”, afirma a escritora Paloma Bernardino.
Amélia, de 20 e poucos anos, é a protagonista da obra. A jovem está prestes a viver um casamento forçado quando se apaixona por um jornalista. O terror se desenvolve a partir de “uma história que ira abalar a cidade de Belo Horizonte”.
Segundo Paloma, a ligação dela com o cemitério do Bonfim, lar da lenda urbana, é antiga. “Meu bisavô materno era coveiro, e minha avó passou a infância brincando no cemitério”, conta a escritora, que cresceu ouvindo o conto de terror.
Segundo a escritora, a obra mostra os desafios enfrentados pelas mulheres nos anos 40 e traz elementos de questões atuais. “Tem algumas cenas do livro que me marcaram bastante. É uma coisa tão real. Eu, por exemplo, tenho pavor de sair sozinha”, conta.
“Todos os dias, nos jornais, há notícias de violência contra mulher. É muito triste saber que não é uma ficção, que acontece com muitas mulheres. Precisamos falar sobre formas de agressão”, reflete.
A escritora afirma que o livro deixa uma mensagem de “luta” contra injustiças. Além disso, ela acrescenta: “Com minha leitura, tento ambientar histórias de Belo Horizonte, com hábitos da capital mineira”.
O livro está disponível em formato digital no Kindle ao preço de R$ 5,99.
Loira do Bonfim
Bonita e atraente, a loira do Bonfim teria aterrorizado diversos homens por volta das décadas de 1940 e 1950. Sedutora, ela os abordava na região central de Belo Horizonte a fazia um convite que para muitos era irrecusável: ir até a casa dela. Porém, a residência da loira do Bonfim era nada mais nada menos do que o cemitério do bairro que a apelidou, na região Noroeste. Quando o casal chegava no local, adeus: a mulher sumia entre os túmulos.