O sentimento neste momento é de consternação na família do menino de 10 anos que morreu após passar por um procedimento para a extração de um dente, em Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte. A  PM informou que a criança sofreu uma hemorragia na boca.  

O tio do garoto, o soldador Elielson Pires da Silva, contou que o sobrinho, Anthony Bernardo, havia ido à clínica odontológica na última quarta-feira, quando a dentista prescreveu antibióticos.  

No entanto, o menino precisou voltar, hoje, na profissional. Ela, então, segundo o soldador, teria dado à mãe duas opções: fazer um canal, ou extrair o dente. A mãe, então, escolheu a extração. “Logo em seguida, ele teve uma parada cardíaca. Ele ficou lá (na clínica) por uns 15 a 20 minutos esperando a ambulância. Quando ele chegou à Unidade de Pronto-Atendimeto (UPA) o reanimaram por meia hora, mas, infelizmente, ele não resistiu”, contou. 

O soldador disse ainda que a família espera agora uma resposta. “Investigar o que houve de acordo. Se teve negligência, ou não. Porque não pode ficar impune”, desabafou. A avó e a mãe do menino não conseguiram conversar com a reportagem. 

A dentista foi encaminhada a Delegacia  Regional de Betim para prestar depoimento a noite, logo após peritos da Policia Civil examinarem a clínica. A equipe de reportagem de O Tempo esteve no local e a profissional não quis comentar o caso e gravar entrevista. Os advogados dela apenas disseram que ela está muito abalada com tudo o que aconteceu.

Leia a seguir a íntegra da entrevista com Elielson Pires da Silva:

O que aconteceu com o seu sobrinho? Começou a sair sangue na gengiva, na carie do dente. A mãe dele o trouxe em Igarapé, na quarta-feira mesmo. Ela (a dentista) passou um antibiótico para ele. Ele voltou para casa e retornou hoje (ontem) na dentista. Aí, ela falou para a mãe dele (irmã do soldador) que seria preciso extrair ou fazer o canal. Ela optou em extrair. 
 
A dentista falou de algum risco? Minha irmã perguntou se haveria problema de ocorrer uma hemorragia. Ela (dentista) disse que se tivesse, seria pouca coisa. E que estavam preparados para isso (complicações).
 
O que ocorreu depois? Começou a extrair o dente e ele teve uma crise. Logo em seguida, ele teve uma parada cardíaca. Ele ficou lá (na clínica) por uns 15 a 20 minutos esperando a ambulância. Quando ele chegou à Unidade de Pronto-Atendimeto (UPA) o reanimaram por meia hora, mas, infelizmente, ele não resistiu.
 
O senhor considera que houve demora no socorro e omissão da dentista? Eu acho que demorou o socorro. Demorou a chegar e também a pedir. Disseram que estavam preparados, mas infelizmente, não teve aparato nem nada. 
 
Quem era seu sobrinho? Filho único? Ele tem uma irmã e tem (tinha) 10 anos. 
 
E o que vocês esperam, a partir de agora? Nós esperamos justiça. Investigar o que houve de acordo. Se teve negligência, ou não. Porque não pode ficar impune. É uma dentista bem famosa aqui em Igarapé. A gente quer saber o que houve, era um garoto de 10 anos.