Projeto completou um ano

Primeira robô trans do Brasil ajuda a prevenir o HIV em meio à pandemia

Iniciativa da UFMG em parceria com a USP e a UFBA criou chatbot que informa sobre os riscos de contágio da doença entre jovens entre 15 e 19 anos, além do uso da PrEP como prevenção

Por Lucas Morais
Publicado em 17 de agosto de 2020 | 20:06
 
 
 

Em época de isolamento e menor contato social por conta da pandemia, muitas vezes o diálogo e a busca de informações sobre doenças como o HIV ficam comprometidas. Essa é uma situação vivida diariamente por diversos jovens homossexuais e transexuais que ainda não conseguiram assumir sua condição dentro dos lares. Para informar e ajudar a prevenir a infecção sexualmente transmissível, a primeira robô trans do Brasil se tornou alternativa em tempos de coronavírus ao aproximar jovens sobre as estratégias de combate à Aids.

O chatbot, batizado de Amanda Selfie, é coordenado pela UFMG, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal da Bahia (UFBA) e acaba de completar um ano.  Apesar da pouca idade, já rendeu muitos frutos. Conforme o professor emérito da UFMG e infectologista, Dirceu Greco, a iniciativa faz parte do projeto PrEP-15-19, que avalia o uso da Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP) em jovens de 15 a 19 anos.

"Tem uma vantagem [da robô trans] que ela começa com uma linguagem muito comum, da mídia social, especialmente agora em uma era de isolamento. Facilita que os jovens possam ter um contato mais objetivo com a grande equipe do projeto, que conta com educadoras, antropólogos", enfatizou o especialista, que também é um dos coordenadores do programa.

Além do HIV, Amanda Selfie também passou a abraçar a prevenção à Covid-19. Dirceu Greco lembra que ela é uma ferramenta importante para jovens que não se sentem à vontade de tratar questões sobre sexo e sexualidade com outras pessoas. E a linguagem descolada e adaptada aos dialetos é um dos principais atrativos.

Estudo sobre a PrEP

Método de prevenção contra o HIV, que deve ser utilizado com outros instrumentos como a camisinha, a PrEP é alvo do projeto das três instituições. A expectativa é analisar o comportamento da medicação entre os adolescentes homossexuais, travestis e transexuais de 15 a 19 anos, além de identificar se essa faixa etária consegue seguir as recomendações de uso diário e se há alguma eficácia – no sistema público de saúde, a PrEP só é distribuída para maiores de 18 anos. 

"Hoje não há nenhum trabalho comprovado sobre o uso do medicamento para essa população. Por isso é importante a pesquisa, que acontece ao mesmo tempo em São Paulo e Bahia. Vamos ter um número final robusto para avaliar", explicou Greco. A expectativa é que até junho do ano que vem 400 jovens sejam atendidos só na capital mineira.

Todos os participantes são acompanhados em consultas com especialistas no Centro de Referência da Juventude, na região Central de Belo Horizonte. Segundo o professor emérito, os horários entre cada atendimento é espaçado e são seguidos à risca todas as medidas de prevenção ao coronavírus. "Estamos lidando com essa população para facilitar não só o acesso à PrEP, que não é nenhuma bala mágica, mas um apetrecho importante para que a prevenção seja exercida de forma correta", argumentou.

Como participar?

A PrEP é uma combinação de antirretrovirais usada todos os dias por pessoas não infectadas pelo HIV – o objetivo é reduzir o risco de infecção causada pelo vírus nas relações sexuais. Os jovens interessados em participar do projeto podem entrar em contato pelo WhatsApp (31-99726-9307) ou pelo Instragram (@nodeumatch). Para quem tem menos de 18 anos, é necessária a autorização dos pais.

Já a assistente virtual Amanda Selfie pode ser encontrada no site Prep1519.org ou pelo Facebook (@amandaselfie.bot). 

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