O movimento dos shoppings populares foi intenso neste primeiro sábado de flexibilização do funcionamento de parte do comércio em Belo Horizonte. Tanto no Shopping Oiapoque quanto no Shopping Xavantes, na região central da capital, havia fila de clientes para entrar nas unidades. 

Porém, segundo o diretor presidente do Oiapoque, Mário Valadares, a fila é apenas para aferição da temperatura, higienização das mãos com álcool em gel e para distribuição de senhas. A entrada tem sido controlada por meio de fichas limitadas a 507 clientes simultaneamente no espaço. “Esse limite corresponde a 20% da média de fluxo por hora no shopping e, em nenhum dia ainda atingimos esse limite. Nossa média é de 2.500 pessoas por hora”, explica. 

Além das medidas de controle de entrada, o shopping também adotou normas de fluxo único de circulação, contratou funcionários extras para orientar os clientes na entrada e também distribui máscaras para aqueles que chegarem sem o acessório. “Também criamos locais de espera para que as pessoas sejam atendidas, porque o atendimento é de uma pessoa por box”, complementa Valadares. Já os boxes funcionam em um esquema de revezamento, sendo metade abrindo a cada dia. 

Pablo Vinícius da Costa Mariano, de 28 anos, foi um dos primeiros a chegar ao Shopping Oiapoque na manhã deste sábado. Ele trabalha com conserto de celulares e veio comprar peças para atender seus clientes. “Eu vim comprar tela de celular porque já estava precisando”, disse. 

Essa foi a segunda vez nesta semana que ele esteve no local e elogiou o funcionamento. “Está bacana e está muito organizado, todo mundo usando álcool, máscara e frequentando filas com distância de 1,5m”, disse. 

No shopping Xavantes, os clientes também só entram com uso de máscara e mediante medição de temperatura e entrega de fichas. Segundo a técnica em segurança Estela de Almeida Barbosa Botelho, de 33 anos, uma das responsáveis pela abordagem dos clientes no centro, o movimento tem sido tranquilo e ainda não houve problemas. “Quando a pessoa tem mais de 36ºC, a gente barra a entrada, mas ainda não teve ninguém que reclamou, não”. No local, a entrada é limitada a 500 clientes simultaneamente. 

Em ambos os shoppings, o horário de funcionamento é de 11h às 19h.

Infectologista alerta

Apesar da retomada de parte da atividade econômica em Belo Horizonte, o momento não é de relaxamento das medidas de isolamento social. O alerta é feito pela infectologista e professora da faculdade de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Júlia Caporali.

Segundo ela, o boletim divulgado pela Prefeitura de Belo Horizonte nessa sexta-feira (29) mostra que o número médio de transmissão por infectado está aumentando na capital mineira. “Isso reflete a flexibilização, não só por meio das medidas adotadas pela prefeitura em relação ao comércio, mas, também, através do afrouxamento que as próprias pessoas começam a adotar com o tempo de isolamento”, explica.

Por isso, a infectologista reforça a importância da manutenção das medidas de isolamento social por parte da população. “É extremamente importante que as pessoas sigam fazendo sua parte: quem pode ficar em casa, continue em casa. Evitar aglomerações desnecessárias, não deixar de usar máscara de maneira alguma e não deixar de lavar as mãos quando estiver fora de casa e quando chegar em casa”. 

Ela ressaltou que as pessoas devem sair de casa somente em caso de necessidade e que a reabertura do comércio faz parte da retomada econômica e, ainda assim, tem sido feita com cautela, tanto que na sexta-feira (29), o prefeito Alexandre Kalil (PSD) suspendeu a progressão da flexibilização prevista inicialmente para a próxima semana.

“O que a gente deve fazer é o extremamente necessário. A abertura do comércio é para o que é necessário. Então, se abriu uma papelaria, é pra você ir lá, comprar o que precisa e voltar pra casa. Inclusive, a prefeitura vai parar com a progressão da flexibilização na semana que vem porque já deu pra ver que os casos vão aumentar e isso é muito esperado mesmo”, disse a médica.

E completa: “ainda não é o momento de encontrar com as pessoas e fazer confraternizações. Não se pode entender a flexibilização do comércio como sinal de uma situação mais segura, pelo contrário, a situação agora é menos segura do que há uma ou duas semanas atrás. Então, o risco de contato com a doença quando você encontra com outra pessoa agora é maior do que antes”.