O prefeito Alexandre Kalil (PSD) afirmou que quem decidirá sobre um possível fechamento de Belo Horizonte será o Secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado. Nesta segunda-feira (1°), diante do agravamento da pandemia da Covid-19 no Brasil, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) recomendou a adoção de medidas drásticas e urgentes contra o iminente colapso das redes pública e privada de saúde como ocorreu em Manaus no início do ano. O toque de recolher diário das 20h até as 6h é uma das ações recomendadas pelo Conselho para evitar que pacientes morram sem atendimento médico.
Além disso, os especialistas listaram que também é preciso fechar praias, bares e adotar barreiras sanitárias, com interdição dos aeroportos e do transporte interestadual. Indicam, também, a adoção do trabalho remoto sempre que possível e ações eficazes para reduzir a superlotação dentro dos ônibus. Shows, congressos, atividades religiosas e esportivas também devem ser proibidas em todo o território nacional.
"Quem manda na Secretaria de Saúde é o Secretário Municipal", afirmou Kalil.
Em Belo Horizonte, a prefeitura classificou como "preocupante" o avanço da Covid-19 na cidade. Nesta segunda-feira (1º), a taxa de transmissão do vírus subiu para o patamar mais crítico da pandemia e, com isso, a capital tem dois dos três indicadores nos níveis vermelho. Para avaliar que medidas serão adotadas para conter o contágio da doença e a lotação dos leitos hospitalares, o Comitê de Combate à Covid irá se reunir na próxima quarta-feira (3).
"Qualquer medida para combater o vírus é válida nesse momento, esse vírus se transmite com o deslocamentos das pessoas e a redução de agrupamentos e aglomerações minimizam. As medidas vão depender da situação epidemiológica de cada município, mas vejo com bons olhos não só o toque de recolher. Em boa parte do país isso talvez seja pouco. Para algumas capitais que estão atravessando um momento gravíssimo, uma medida mais extrema seria mais eficaz", pontua o médico infectologista e membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da PBH, Estevão Urbano.
"Em relação a BH é preciso acompanhar os próximos dias para avaliar se é preciso sugerir alguma mudança, mas neste momento não", acrescenta o médico.
Procurada, a prefeitura informou que mantém o monitoramento constante dos dados epidemiológicos e assistenciais na cidade e que qualquer agravamento que comprometa a capacidade de atendimento será tratado da forma devida, com o objetivo de preservar vidas. A secretária municipal de saúde orienta ainda que a população mantenha as medidas de prevenção, com uso da máscara, higienização das mãos e distanciamento social.
"As principais causas desse aumento caótico no país inteiro, inclusive, em Minas e até em Belo Horizonte é a viagem que muitas pessoas fizeram no Carnaval, além da possibilidade de cepas e variantes mais agressivas estarem circulando na nossa região e também o relaxamento que muitas pessoas fizeram até pelo cansaço. Isso tudo é o que o vírus precisa para se multiplicar", avalia Estevão Urbano.
Para o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Dirceu Grego, a solicitação não tem caráter de obrigação aos Estados e ao Ministério da Saúde, mas é um alerta a ser considerado. "É mais uma pressão. Os secretários estão despertando para a gravidade do problema, eles têm papel de atuação para mudar as medidas de enfrentamento à pandemia. Essas medidas são uma análise geral, mas cada cidade tem sua peculiaridade. Belo Horizonte mesmo está bem cuidada, só que temos locais em que a situação está descontrolada. Está na hora de cada um, cada Estado, tomar conta", avalia.
Questionada sobre a adoção de medidas mais restritivas em Minas Gerais, a Secretária de Estado de Saúde informou que o cenário não é o mesmo em todo o estado e citou o programa Minas Consciente, que orienta quais medidas devem ser tomadas de acordo com a onda em que a cidade se encontra. No momento, oito macrorregiões estão na onda mais restritiva, a vermelha. Nenhuma macrorregião mineira se encontra na onda verde do plano, a mais flexível.
Ainda segundo a pasta, o governo tem acompanhado, ininterruptamente, o cenário da ocupação de leitos no Estado. Até a manhã desta segunda-feira (1º), em todo o estado, havia 1.031 leitos de UTI disponíveis, o que representa 25,23% do total de vagas. "Uma das ações do Governo de Minas Gerais é garantir a todos os pacientes a assistência médica adequada, como ocorre nas regiões do Triângulo Norte e Noroeste. Desde o dia 5 de fevereiro, foram realizadas 99 transferências da macrorregional Triângulo do Norte para outras macrorregionais do estado e 28 foram feitas fora da macrorregional Noroeste", informou em nota.
Confira a nota completa PBH
"A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informa que mantém o monitoramento constante dos dados epidemiológicos e assistenciais na cidade. Qualquer agravamento que comprometa a capacidade de atendimento será tratado da forma devida, com o objetivo de preservar vidas.
O Comitê de Enfrentamento à Covid-19 se reunirá na quarta-feira (3) para analisar os índices epidemiológicos e o cenário da pandemia. Há a hipótese de impacto do carnaval e, por isso, devemos acompanhar a dinâmica da doença durante esta semana para definir os rumos da flexibilização.
Belo Horizonte foi uma das primeiras cidades do Brasil a adotar medidas restritivas e a criar um comitê com um corpo técnico de infectologistas renomados para orientar sobre as ações a serem implementadas ao longo da pandemia. Em dezembro, foi proibido o consumo de bebidas alcoólicas nos bares e restaurantes e, na segunda semana de janeiro - adicionalmente - foram fechados os bares e o comércio da cidade (atividades não essenciais) por 3 semanas para conter os avanços da pandemia.
A orientação é que a população mantenha as medidas de prevenção à Covid-19, com uso da máscara, higienização das mãos e distanciamento social"