Pode até parecer conversa de bar, mas a verdade é que a cerveja teve um papel de peso durante alguns dos acontecimentos mais importantes na história da humanidade.
Foi, por exemplo, com o propósito de registrar receitas do líquido fermentado que os antigos sumérios começaram a desenvolver – há mais de 5 mil anos – os moldes para a invenção da escrita. Mais tarde, ela serviu como pagamento por trabalhos pesados e até salvou muita gente da peste negra que assolou a Europa na Idade Média.
Buscando destacar o valor sociocultural da bebida, o Festival Internacional de Cerveja e Cultura (FICC) chega à sua oitava edição em 2021.
Totalmente veiculado ao universo digital, o evento vai ao ar entre esta quarta (25) e sexta (27), em formato de três lives que serão transmitidas pelo canal oficial do FICC no Youtube.
Mesclando gastronomia, cultura e música, um dos destaques da programação deste ano será o show que o cantor e compositor Supla vai apresentar online no dia 27, durante o encerramento do festival.
Com o tema "Os Belos Horizontes da Cerveja Artesanal: Do pioneirismo ao seu legado", a festa vai sublinhar a força da capital mineira como um dos celeiros na produção cervejeira artesanal do País.
Para isso, os organizadores vão realizar um documentário, que será filmado durante o evento, percorrendo diversas cervejarias conhecidas de BH e da Região metropolitana, como como a Brewpus, e a TapHouses. O músico e produtor de vídeos Matheus Gontijo estará a cargo do projeto.
"Será uma homenagem a todo esse movimento cervejeiro com ênfase no lado artesanal da produção na capital. Faremos um apanhado com várias cervejarias e atores locais, para cobrir suas histórias desde os primórdios até o legado que segue em construção. Vamos retratar as cervejarias mais antigas e as mais jovens de uma maneira bem humanizada e nada comercial", explica Fred Barros, um dos idealizadores do FICC.
Além de cobrir o circuito das cervejas, o vídeo contará com entrevistas com alguns dos pioneiros do mercado na cidade, como o casal Miguel e Ustane, criadores da premiada cervejaria Wals, o alemão Hans Joachin, fundador do tradicional Stadt Jever, o austríaco Herwig Gangl, proprietário da Krug Bier, e Marco Falcone, dono da Falke Bier.
Ainda segundo Barros, o propósito é reconhecer como a cultura cervejeira tem caído no gosto popular nos últimos anos.
"É evidente o aumento no consumo dessas bebidas especiais, que antigamente eram caras e de pouco acesso. Hoje, as cervejas artesanais já chegam às prateleiras dos supermercados com preços atraentes. Com isso, mais pessoas podem apreciar a qualidade e o sabor dessa especiaria – que depois que se gosta, é um caminho sem volta", complementa.
Divido em cinco eixos – música, mundo cervejeiro, gastronomia, cultura e responsabilidade social – o festival traz também uma agenda especial voltada para a culinária, que vai dar ao público a chance de conferir duas lives sobre o tema.
A primeira será exibida no dia 25, diretamente de uma das unidades de produção da cervejaria Albanos, casa renomada por sua essência gastronômica. Já no dia 26, acontece a segunda transmissão, que irá ao ar ao vivo do complexo comercial que une o restaurante La Traviata, a Hamburgueria Sava e a cervejaria Inspetor Sands.
Live de Supla fecha a programação musical do festival
Na parte musical, a atração principal do festival será a live que o cantor e compositor Supla apresenta, ao lado de sua banda, no encerramento do evento.
O show acontece no dia 27 de agosto, com transmissão ao vivo pelo canal oficial do FICC no YouTube. A banda Glasgow e a cantora Nêga Kelly também fazem parte do lineup da festa.
Conhecido por sua pegada roqueira e pinta de Billy Idol, o artista teve um início de carreira precoce e despontou na música durante o primeiro momento de efervescência do pop-rock brasileiro nos anos 1980.
"Eu comecei cedo, aos 14 anos, quando montei minha própria bateria. Depois fiz parte do boom do rock nacional que começou em 1985. Na época eu cantava na banda Tokyo e a gente fez muita coisa legal, e gravamos com gente como a cantora alemã Nina Hagen e o grande Cauby Peixoto", lembra o artista.
Foi, aliás, com o Tokyo, que Supla ganhou fama inicial ao emplacar alguns hits oitentistas como "Garota de Berlim" e "Humanos".
"A banda era influenciada por muitos sons new-wave e a gente fez um apanhado de tudo aquilo para produzir um techno-punk pop de respeito", diz em referência à sonoridade do grupo.
Além da música, o estilo e as ideias do seu primeiro conjunto também tinham, segundo ele, razão de ser. "A gente tinha as roupas certas, o som certo, o papo certo e tudo andava bem. Foi um período maravilhoso", completa o cantor.
Apesar de ter orgulho do tempo que passou à frente da banda Tokyo, o cantor e compositor – que começou sua carreira solo em 1989 – se diz satisfeito por encontrar muitos admiradores na nova geração, e rejeita qualquer nostalgia pelo passado.
"Eu não acho que tenha muita diferença entre fazer música naquela época e agora. Claro que os tempos são diferentes, mas no fim das contas o processo é o mesmo. Os instrumentos estão aí, as ideias estão aí, então o negócio é fazer música", opina.
Aos 55 anos e com mais de 30 anos de carreira, Supla segue mais ativo do que nunca. Durante a quarentena ele lançou "Suplaego", seu décimo disco solo e o 17º de sua discografia.
Composto por 13 canções – das quais quatro são cantadas em inglês e nove em português – o disco aposta em estilos diversos como o rock, o punk e até mesmo a disco music, além de contar com a participação especial da cantora Karol Conká.
"Estou totalmente aberto a fazer participações com todo tipo de artistas e explorar gêneros musicais diferentes, desde o trap, passando pelo rap, o samba e, claro, o rock'n'roll, que por si só tem várias ramificações. Se a música for boa e tiver uma boa vibração com todo mundo que está presente ali, isso me interessa", arremata o músico.
Biografia
Em três décadas e meia de estrada, Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, mais conhecido como Supla, já fez um pouco de tudo na carreira: foi cantor da banda Tokyo nos anos 1980; atuou no cinema ao lado de Angélica do dos Trapalhões nos anos 1990; se aventurou como escritor, com o livro "Crônicas e fotos do Charada Brasileiro"; fez parte das bandas internacionais Psycho 69 e 2ZOO4U; lançou a dupla Brothers of Brazil com o irmão João Suplicy; e participou de um dos primeiros realities shows brasileiros, a "Casa dos Artistas", no SBT.
Serviço
O quê: 8ª edição do Festival Internacional de Cerveja e Cultura
Onde: Pelo canal do Youtube do FICC
Quando: Entre quarta (25) e sexta (27)
Quanto: Gratuito