Boa forma

Academias crossfit crescem 5.900% em seis anos no país

Atividade que une levantamento de peso, ginástica e atletismo está em expansão também em Belo Horizonte

Por Juliana Gontijo
Publicado em 20 de abril de 2019 | 03:00
 
 
 

Ao que tudo indica, na hora de escolher qual atividade física fazer, muita gente está tendo a mesma ideia: o crossfit. O nome junta “cross”, que significa “cruzar, ultrapassar”, com “fit”, ou “em forma”. O crossfit é um treinamento que une levantamento de peso olímpico, ginástica, atletismo e outras modalidades em atividades de alta intensidade.

A modalidade, que surgiu nos Estados Unidos, no fim dos anos de 1990, vem ganhando cada vez mais espaço em Belo Horizonte, em especial na região Centro-Sul. O que não faltam são academias, chamadas de boxes, voltadas para essa prática. No país, conforme explica Ricardo Prudente, diretor da CrossFit Inc., detentora da marca no Brasil, são quase 1.200 boxes. Ele conta que de 2009, quando foi aberta a primeira academia no país, em São Paulo, até 2013, eram 20 boxes no país. “De 2013 até agora, chegamos aos quase 1.200 boxes. Um crescimento de incríveis 5.900% em seis anos. Em Belo Horizonte, são, pelo menos, 32 boxes filiados”, garante.

Para ele, ainda é possível chegar a um crescimento na quantidade de unidades em 2019, entre 10% e 20%. “Somos hoje o segundo país em número de boxes no mundo, só perdendo para os Estados Unidos”, ressalta. Mais da metade dos boxes no mundo está justamente no país que criou essa modalidade de treino. São mais de 7.000 boxes nos Estados Unidos.

Prudente explica que o nome crossfit só pode ser utilizado pelos boxes filiados à marca, que podem ser consultados no site oficial: www.crossfit.com. O profissional que deseja ter um boxe precisa fazer um curso e uma prova. As afiliadas pagam royalties à CrossFit Incorporation.

Pioneira. Na capital, a primeira academia a abrir as portas foi a Crossfit BH, em 2010, no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul, segundo Pedro Barros, um dos proprietários. “Foi a segunda do Brasil. A primeira foi inaugurada em 2009, em São Paulo”, conta.
Desde então, mais duas unidades foram abertas, ambas na região Centro-Sul. Em 2014, foi o boxe no bairro Santa Lúcia. E, no ano seguinte, foi inaugurada a unidade Mangabeiras.

Proprietário da Crossfit BH, unidades Lourdes e Mangabeiras, Carlos Vidal conta que a ideia de abrir a academia voltada para a prática do crossfit surgiu durante uma pesquisa pela internet. “Eu queria sair do básico, oferecer uma atividade diferente”, diz.

O proprietário do CrossFit CF 4X4, Gustavo Pereira Garrido, conta que depois do terceiro ano, quando o negócio já está consolidado, o número de alunos vem registrando um crescimento na casa dos 10%. “No começo, a expansão é maior. O crossfit é uma modalidade ainda nova no país”, observa.

Hoje, são três unidades em Belo Horizonte. A primeira a abrir as portas foi a de Lourdes, em 2014. No ano seguinte também foi inaugurado o boxe de Lourdes. “A unidade do Luxemburgo está há 11 meses no mercado. Foi uma oportunidade, encontramos um espaço muito bom”, diz.

Atividade física pode ser feita por qualquer tipo de pessoa

Um dos desafios do crossFit, segundo empresários do setor, é mostrar que é uma atividade física voltada para qualquer pessoa. “É um exercício que se adapta ao aluno”, diz o proprietário do CrossFit CF 4 X4, Gustavo Pereira Garrido.

“O treino é adaptado para cada tipo de pessoa”, acrescenta o diretor da marca CrossFit Inc. no Brasil, Ricardo Prudente.

A advogada Raquel Braga é praticante do crossfit há quatro anos e também defende a ideia de que a modalidade pode ser praticada por todo mundo. “O crossfit mudou a minha vida. Para mim não é apenas um exercício físico, é um estilo de vida. A minha filha de 14 anos também é praticante”, conta.

Concorrência é grande e mercado tende a saturar

Assim como aconteceu com outros investimentos que viraram modismo na cidade em diversas áreas, como petshops e lojas de açaí, com o tempo o mercado acaba selecionando os negócios, segundo o proprietário das unidades Lourdes e Mangabeiras da CrossFit BH, Carlos Vidal. “Só sobrevive quem, de fato, se entrega ao negócio, quem se dedica de verdade”, analisa.

Para o proprietário do CrossFit CF 4 X4, Gustavo Pereira Garrido, o mercado hoje, em especial na região Centro-Sul da capital, já está saturado. “Há ainda algumas oportunidades, mas são pontuais. A concorrência é grande”, observa.

Ele conta que há cinco anos, quando abriu seu primeiro boxe, como havia poucas academias que atuavam na área, o ganho financeiro era melhor. “Antes de abrir a primeira unidade, eu avaliei o nicho de mercado e o considerei bom. Além disso, tinha a vantagem de ser uma novidade, uma modalidade mais motivadora que a musculação”, avalia.

O diretor da marca CrossFit Inc. no Brasil, Ricardo Prudente, diz que a retenção de alunos no crossfit é, em média, melhor que a das tradicionais academias de musculação. “Nas academias convencionais, o aluno paga e não vai treinar. Isso dificilmente acontece com um praticante de crossfit”, garante.

Para ele, um dos atrativos da atividade é não ter rotina. “Além disso, pesa a favor do crossfit o ambiente. É um tipo de modalidade de exercício que permite fazer amizades, ter uma turma, o que contribui para que o aluno frequente os treinos”, diz.

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