Protagonismo feminino

Brasil é o sétimo país com mais mulheres empreendedoras

Embora estudem 16% a mais do que os homens, ganho médio delas é 22% menor

Por Queila Ariadne
Publicado em 23 de fevereiro de 2020 | 03:00
 
 
 

O Brasil é o sétimo país com o maior número de mulheres que começam um negócio, segundo levantamento da Global Enterpreneurship Monitor (GEM) com 49 países. São 24 milhões de brasileiras com negócios próprios. Na frente estão lugares como Madagascar, Panamá e Indonésia.

“É um posicionamento positivo, pois são lugares onde o protagonismo feminino está ganhando espaço, com mais oportunidades sendo abertas para elas, mas ainda temos muito o que conquistar”, destaca a analista de educação e empreendedorismo Jaqueline Cristina Lima, do Sebrae Minas. 

A pesquisa, feita com base em dados de 2018, revela que as empreendedoras brasileiras estudam 16% a mais do que os homens – 9,9 anos, contra 8,5 deles. Mesmo assim, o rendimento médio mensal é 22% menor para elas.

“No mercado formal, essa diferença de ganhos está diretamente relacionada ao preconceito. Já no caso das empresárias, tem muito a ver com o tempo dedicado ao negócio, pois elas precisam se desdobrar entre trabalho e cuidados com os filhos e a casa”, observa Jaqueline. 

De acordo com o GEM, enquanto os homens dedicam, em média, 37,5 horas ao negócio, as mulheres trabalham 30,8 horas. Conciliar melhor a jornada de trabalho com os filhos foi um dos fatores determinantes para que a administradora Renata Nunes, 38, trocasse a empresa onde trabalhava por um empreendimento próprio.

Em 2016, antes de o mais velho completar um ano, ela decidiu abrir um negócio. “Eu senti que precisaria de mais flexibilidade e resolvi abrir uma franquia para ter um suporte no negócio. Quando ainda fazia faculdade, eu abri uma lanchonete, mas não deu certo e segui carreira bancária, depois atuei em uma seguradora. Dessa vez, depois de muita pesquisa, abri minha primeira loja da Não+Pêlo. E deu muito certo”, conta Renata, que, dois anos depois, teve a segunda filha. 

A empresária já inaugurou outras duas unidades, emprega oito pessoas e estuda abrir a quarta loja. Mesmo com todo sucesso, não está livre de alguns comentários.

“Tem gente que assusta quando eu falo que tenho três lojas e pergunta como eu consigo cuidar dos meus filhos”, relata.

A dúvida, que ainda é comum, comprova que, apesar dos avanços, o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente. “Muitos investidores já estão percebendo o potencial empreendedor das mulheres, que possuem características diferenciais: pegam menos empréstimos, têm menor taxa de inadimplência e são persistentes nos negócios”, destaca Jaqueline.

Segundo o levantamento, ao lado do comércio de roupas e cosméticos, as atividades de beleza estão no topo das áreas com maior atuação de empreendedoras. Segundo o presidente da Não+Pêlo no Brasil, José Rocco, 80% dos franqueados são mulheres, e a maioria já tinha uma carreira estabelecida, mas resolveu trocar.

“No nosso caso, não existe nenhuma diferenciação em relação ao tempo dedicado ao trabalho ou ao rendimento. Muito pelo contrário, pois nesse mercado (depilação) acontece o inverso, uma vez que as consumidoras tendem a se sentir mais constrangidas com a presença de um homem na recepção”, avalia Rocco.

Sebrae cria programa só para elas 

Diante da crescente busca pelo empreendedorismo feminino, o Sebrae Minas lançou um projeto para acelerar o desenvolvimento dos negócios de mulheres.

“Desde o ano passado, estamos acompanhando 200 empreendedoras. Nossa meta é fazer com que pelo menos 20% delas se formalizem e, entre as que já possuem negócios formais, o foco é aumentar o faturamento em 30%”, explica a analista de educação e empreendedorismo Jaqueline Cristina Lima, do Sebrae Minas.

O Sebrae Delas nasceu no ano passado. Desde então, mulheres em várias partes do Estado estão recebendo capacitação para melhorar os negócios.

A consultoria personalizada orienta sobre inovação, marketing digital, liderança e finanças. “O projeto é voltado para o fortalecimento dessas empreendedoras para que elas se sintam mais preparadas para conseguir aumentar a lucratividade”, afirma Jaqueline.

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