M&A

Fusões e aquisições de empresas de tecnologia mostram mercado aquecido no Brasil

Até junho deste ano, foram registradas 360 fusões, das 807 computadas por uma pesquisa da 'PcW Brasil'

Por Lucas Negrisoli
Publicado em 13 de setembro de 2022 | 20:12
 
 
 

Fusões e aquisições de empresas do setor de tecnologia representam 45,72% de todas as operações do tipo no Brasil. Até junho deste ano, foram registradas 360 fusões, das 807 computadas por uma pesquisa da “PcW Brasil”. No mesmo período de 2021, houve 706. Robert Oliveira, sócio do L&O Advogados, escritório especializado em “Mergers and Acquisition” (M&A, termo em inglês que se refere às fusões e aquisições, em tradução livre), avalia que o mercado mostra que até empresas “tradicionais” estão buscando a tecnologia. 

“Há algum tempo falávamos de uma empresa atuava em tecnologia, hoje todas as empresas vão ter algum nicho de tecnologia. No início de 2022, tivemos expectativa de baixa nos investimentos devido à mudança do cenário econômico, o que não se confirmou, e os números mostram que não houve essa queda. Tivemos um movimento de maior profissionalização, mais experiência e vemos o capital disponível no mercado. O setor está quente”, detalha.

O exemplo mais claro é o mercado financeiro, em que fintechs trouxeram novos panoramas para o consumidor. “Tivemos uma mudança drástica no mercado. Um exemplo de como isso acontece são grandes bancos que adquirem empresas de tecnologia para ganhar espaço das fintechs. Isso acontece em todos os setores. Outro exemplo é o varejo, mas também há esse movimento no mercado imobiliário, em empresas de marketing, em tecnologia de bockchain, criptomoedas etc”, completa.

A analogia usada pelo advogado é “um bote e um transatlântico fazendo uma curva” – mesmo que menores, startups podem conseguir chegar a lugares que as gigantes, hoje, não alcançam. “Em uma empresa de grande ou médio porte é difícil de inovar. A estratégia das grandes empresas é adquirir as menores para trazer para dentro do grupo, trazer um produto pronto”, explica.

Concentração

Os movimentos de aquisição e fusão ainda demonstram um cenário positivo para startups, opina Oliveira, e não há risco de concentração de mercado em apenas grandes negócios.

“Quem está construindo empresas nesste momento continua com grandes oportunidades para conseguir financiamento. Startups nascem para ser vendidas, e temos algumas que se tornam unicórnios [empresas que ultrapassam a marca de US$ 1 bilhão em valor de mercado], mas elas nascem e desenvolvem produtos para ser vendidas, crescem com esse plano. Temos um mercado aquecido”, afirma.

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!