Realização do sonho

Maioria dos brasileiros usa dinheiro de investimentos para comprar casa própria

Especialistas avaliam que investir em imóveis é fazer bom uso do lucro da aplicação, no entanto, deve-se levar em consideração as taxas aplicadas em financiamentos e o objetivo da compra


Publicado em 19 de abril de 2023 | 09:00
 
 
 

Quase 30% dos investidores brasileiros fazem aplicações com objetivo de utilizar os rendimentos para comprar um imóvel ou realizar o sonho da casa própria. O dado é da 6ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais que avalia o comportamento da população e suas finanças. Segundo a pesquisa, o segundo motivo das aplicações é guardar dinheiro para uma emergência (mais de 20%).

O dado reflete um comportamento comum do brasileiro. Segundo o Censo QuintoAndar, realizar o sonho da casa própria é o desejo de pelo menos 87% dos brasileiros. Especialistas em finanças acreditam que, para realizar esse sonho, é necessário avaliar as possibilidades, taxas bancárias de um possível financiamento e até mesmo se o aluguel seria a melhor opção, observando as necessidades pessoais. 

No caso levantado pela pesquisa (usar os rendimentos da aplicação para investir em um imóvel), o educador financeiro Matheus Machado lembra que a melhor forma de guardar dinheiro é investindo, independente do objetivo. Ele orienta, inclusive, que neste caso o investidor prefira apostar na renda fixa. “Infelizmente, a renda variável te expõe mais e pode ser que você tenha surpresa negativa”, diz.

Porém, ao pensar na utilização dos rendimentos da aplicação para adquirir um imóvel, é necessário levar em consideração a finalidade dessa compra e a forma de pagamento. Ele lembra que a maior parte das pessoas irá fazer algum tipo de financiamento.

Para Matheus é preciso separar a realização de um sonho do investimento para lucro a longo prazo (venda do imóvel após valorização). “Se a pessoa não tem recurso para comprar o imóvel à vista e compra financiado pensando como investimento, as taxas são muito altas. Fazer um financiamento para depois vender aquele imóvel é um risco muito alto para um lucro muito pequeno”, pondera. Ou seja, nesse caso, segundo o especialista, só vale a pena investir se for à vista.

Já no caso da compra da casa própria, o investimento, mesmo com financiamento, é válido, na visão de Machado. “É diferente da pessoa que recorre ao financiamento para moradia própria, porque essa pessoa não está sendo movida pela busca de lucro futuro, mas pelo sonho pessoal, e isso vai trazer tranquilidade emocional, estabilidade”, explica.

Cuidados

A economista e coordenadora de MBA na PUC Minas, Vaníria Ferrari, lembra que o primeiro passo antes de comprar um imóvel, levando em conta um financiamento, é avaliar as taxas de juros e buscar a menor. “O valor das prestações deve se adequar aos gastos da pessoa sem comprometer a renda”, orienta. 

No caso da pessoa que está pensando em comprar um imóvel como investimento, para esperar certa valorização e vendê-lo depois, ela pondera que é necessário avaliar diversos fatores. “Não é só o valor do metro quadrado que precisa ser observado, mas o local do imóvel, a região, as perspectivas de valorização. Outra questão é a depreciação do imóvel”, enumera. “É importante fazer uma análise mais profunda do que simplesmente considerar o aumento ou redução do valor do metro quadrado para prever uma valorização ou não do imóvel”, sugere.

Aluguel

No mundo da educação financeira, muitos especialistas sugerem aos clientes a troca do imóvel próprio pelo aluguel. Matheus e Vaníria concordam que, nesse ponto, é preciso avaliar as circunstâncias antes de taxar o que é ou não viável para o investidor.

Matheus Machado lembra que essa avaliação depende do desejo e da necessidade da pessoa. “A primeira coisa sobre aluguel é pensar no sonho da pessoa, a maioria dos brasileiros compra imóvel pelo sonho, porque eles querem estabilidade. Segundo, a condição financeira, porque muita gente não vai realmente conseguir seguir esse sonho arcando com um financiamento”, diz.

“Outra coisa é o estilo de vida, quem está sempre viajando dificilmente será movido por um sonho. Já quem quer morar num determinado lugar, por motivos variados, onde o metro quadrado é muito caro, por exemplo, comprar um imóvel seria complicado e o aluguel talvez mais viável”, exemplifica.

Vaníria lembra que a instabilidade de morar de aluguel pode ser desconfortável. “Porque você pode ter que entregar o apartamento e se mudar várias vezes, então, são questões qualitativas”, sintetiza.

Confira os principais objetivos dos investidores, segundo o Raio-X do Investidor:

Comprar casa própria/investir em imóveis: 29,7%
Manter aplicado/ter dinheiro para emergências: 20,8%
Comprar um veículo: 11,1%
Fazer uma viagem/passeio: 10,6%
Usar na velhice: 9,6%
Investir em negócio próprio: 9,5%

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