Entre maio e agosto

Preço do etanol acumula alta de mais de 8% em BH

Segundo a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), o aumento acompanha o da gasolina, que ficou 9,1% mais cara na cidade

Por Rafaela Mansur
Publicado em 22 de setembro de 2020 | 18:01
 
 
 

Após cair no começo da pandemia da Covid-19, o preço médio do etanol subiu 8,4% nos últimos meses em Belo Horizonte. De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor cobrado ao consumidor na capital passou de R$ 2,521, em maio, para R$ 2,733, em agosto.

Segundo a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), a alta do biocombustível acompanha a da gasolina, que ficou 9,1% mais cara na cidade no mesmo período. Neste mês, a ANP não realizou levantamento de preços, mas, conforme pesquisa da Ticket Log, o etanol está custando, em média, R$ 3,000 em Belo Horizonte, considerando os primeiros 15 dias do mês.

Nos últimos meses, com a pandemia, o número de veículos circulando nas ruas diminuiu, e a demanda por etanol caiu, em média, 20% em Minas Gerais, segundo a Siamig. Para reduzir as perdas, muitos produtores do combustível migraram para o açúcar, em alta no mercado externo.

"Nós reduzimos a produção de etanol e aumentamos a de açúcar. Demos sorte, porque, especificamente, neste ano, o mundo precisava mais do açúcar brasileiro, havia um déficit mundial de açúcar. Tivemos queda de safra na Tailândia, que é o segundo maior exportador, dificuldades na Índia, a China voltando a comprar, isso ajudou muito a demanda global", afirma o presidente da Siamig, Mário Campos. Neste ano, Minas Gerais exportou, em valores, US$ 604 milhões de açúcares e melaços de janeiro a agosto, 53,8% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Mesmo com a redução da produção, os estoques de etanol ainda estão 40% maiores no Estado do que no ano passado — a estimativa é de recorde na safra de 2020/ 2021 de cana-de-açúcar em Minas, de mais de 72 milhões de toneladas. Segundo Campos, o aumento da produção do açúcar, em detrimento do etanol, não tem relação com a alta do preço do combustível.

"No início da epidemia, a gente estava no final da entressafra. Quando começa a safra, normalmente os preços caem, e ainda tivemos outro efeito, uma queda abrupta do preço do petróleo e da gasolina no mercado brasileiro. O preço do etanol, para competir com a gasolina, teve que acompanhar. Depois, nós tivemos a recomposição tanto da gasolina quanto do etanol", diz o presidente da Siamig, ressaltando que o etanol continua competitivo em relação à gasolina no Estado.

"A dinâmica do mercado de combustíveis no Brasil depende muito do preço da gasolina, e o preço da gasolina depende do preço do petróleo no exterior e do nosso câmbio", explica Campos. Nesta terça-feira (22), a Petrobras informou aos seus clientes que vai aumentar o preço do litro da gasolina vendida em suas refinarias em 4%, já a partir desta quarta-feira (23).

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