A ONG Contato completa 22 anos nesta terça (2) e dá um novo passo em sua trajetória, à frente de um projeto nacional que liga meio ambiente e cultura no combate às desigualdades sociais. O "Outras Florestas" nasceu como uma ação local em Belo Horizonte, em 2002, e, após os bons resultados obtidos, agora ganha o país, estabelecendo parcerias com comunidades indígenas, quilombolas e periféricas, além de contar com o apoio fundamental da Fundação Banco do Brasil.
O eixo central do projeto é buscar criar e estimular práticas de desenvolvimento sustentável, de acordo com o mapeamento das regiões. Em Belo Horizonte, o "Outras Florestas" tem como maior objetivo plantar três mil árvores. Neste momento, a instituição vem realizando visitas técnicas em possíveis locais e áreas de plantio na cidade. A primeira impressão é de que há muitos espaços mal utilizados e que poderiam servir como opção de lazer para os moradores.
“Esses locais compreendem parques, zonas degradadas, áreas verdes sem regulação. A partir disso, a gente poderá revitalizar esse importante patrimônio da cidade, preservando as nascentes, córregos e cachoeiras que existem no munícipio”, registra Helder Quiroga, coordenador da ONG Contato. A iniciativa tem também o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e participação de entidades ligadas às ações de preservação ambiental e de desenvolvimento sustentável.
Trabalho semelhante vem sendo desenvolvido em outras localidades do país: Marechal Thaumaturgo, no Acre, e Moreré, vila pertencente à Ilha de Boipeba, no litoral da Bahia. Moradores estão recebendo capacitação para a promoção de levantamento de dados socioambientais de cada região. “A pesquisa é fundamental para gerar uma compreensão da relação dessas comunidades com o meio ambiente e a cultura. Com isso conseguiremos planejar com mais assertividade as ações de sustentabilidade”.
Em Marechal Thaumaturgo, serão construídos seis açudes a partir do programa, beneficiando a agricultura do povo ashaninka. Residentes na região amazônica, na fronteira com o Peru, às margens do rio Juruá, os ashaninkas são conhecidos por conciliar costumes e valores tradicionais com práticas ligadas à sustentabilidade socioambiental. Os açudes vão favorecer o desenvolvimento da piscicultura, garantindo a segurança alimentar daqueles povos.
Em Moreré, o objetivo final será o investimento na reciclagem e reutilização de vidros descartados, ajudando na preservação do meio ambiente e da cultura negra e quilombola. "Com essas ações de pesquisa, formação e implementação de soluções sustentáveis, vamos ajudar no combate à crise climática, com propostas resolutivas a problemas históricos que prejudicam a população nesses territórios", assinala Quiroga.
O "Outras Florestas" ainda prevê a realização de seminários com a presença de grandes nomes do meio ambiente e da cultura no Brasil, fortalecendo os parceiros locais na luta pela qualidade de vida de suas comunidades. Entre eles estão o Instituto Yorenka Tasorentsi, coordenado pelo líder indígena Benki Ashaninka, no Acre, e o projeto Nossa Oca e o Canto do Moreré, liderado por Alexandre D’Urso, na Bahia.