Uma temporada no continente europeu vai além de aprender um novo idioma ou visitar cartões-postais. Outro impacto surge nas interações do cotidiano, quando comportamentos distintos revelam tradições inesperadas e exigem dos brasileiros um olhar atento para lidar com situações fora da sua zona de conforto.

Em ambientes multiculturais, como os colivings, esse choque é potencializado, pois a rotina compartilhada expõe costumes de várias nacionalidades no mesmo espaço. Assim, viver fora do país se transforma em uma experiência que desafia percepções e amplia formas de convivência.

A seguir, conheça hábitos europeus que surpreendem os brasileiros!

1. A famosa “siesta”

Uma pesquisa da Haaus, empresa de colivings na Espanha, mostrou os principais hábitos de diferentes nacionalidades europeias que causam surpresa para os brasileiros. Na Espanha, por exemplo, a famosa “siesta” ainda faz parte da rotina em várias cidades.

Não é raro que supermercados e lojas fechem por duas ou até três horas após o almoço, algo que causa estranhamento em brasileiros acostumados a ter comércio funcionando sem longas pausas durante o dia. “Já aconteceu de hóspedes brasileiros planejarem cozinhar algo no meio da tarde e se surpreenderem ao encontrarem tudo fechado, desde padarias até farmácias”, relata Joaquín Rubio co-fundador e CEO da Haaus.

2. Pontualidade

Quando os colegas de casa são alemães, a rigidez com a pontualidade é um traço que chama a atenção logo nos primeiros dias: chegar um minuto atrasado já pode ser interpretado como desrespeito. Essa característica, que, para brasileiros, soa um tanto exagerada, reflete a valorização da disciplina e da organização no cotidiano do país.

3. Divisão da conta

Com os vizinhos holandeses, o que mais chama a atenção é a hora de dividir a conta. O hábito de calcular cada centavo, mesmo em jantares entre amigos, é motivo de riso e comentários entre os hóspedes brasileiros. Se, no Brasil, muitas vezes um integrante paga a conta inteira e resolve depois, por lá o costume é garantir que ninguém pague nem um euro a mais.

4. Jantar tarde

Outro exemplo vem da Itália, mas também comum na Espanha: para os italianos, jantar antes das 20h é algo inconcebível e quase ofensivo. Restaurantes que abrem as portas cedo são vistos como “para turistas”. Assim, não é incomum que brasileiros hospedados em colivings se vejam famintos no fim da tarde, sem encontrar muitas opções abertas até a noite cair.

Cinco pessoas de diferentes origens conversando e rindo juntas em uma sala de estar compartilhada
Em colivings, cada hábito pode virar aprendizado e, assim, é possível mergulhar na multiculturalidade (Imagem: PintoArt | Shutterstock)

O coliving como sala de aula multicultural

Essas situações, que podem parecer banais em seus países de origem, ganham outro peso quando vividas em uma casa compartilhada, onde as culturas se misturam diariamente. O espaço coletivo, de acordo com a Haaus, acaba se tornando uma espécie de “sala de aula informal”, onde cada hábito vira aprendizado e, muitas vezes, piada interna entre os moradores.

Do choque inicial com a rotina europeia até a adaptação ao novo ritmo de vida, as experiências revelam como morar em comunidade vai muito além de dividir um teto: é um mergulho na multiculturalidade. E, para os brasileiros, esse contato direto com costumes diferentes é parte fundamental da jornada de quem escolhe viver um período fora do país.

Por Flávia de Castro