Nomes de destaque da cultura e políticos de diferentes partidos lamentaram neste sábado, 30, a morte do escritor Luis Fernando Verissimo, um dos principais cronistas do país, cuja obra atravessou a literatura e o debate público. Aos 88 anos, ele estava internado e faleceu em decorrência de complicações de uma pneumonia.

Em nota, a Editora Objetiva, selo pelo qual o escritor publicava destacou que o Brasil perde "um de seus autores mais queridos", lembrando sua estreia no jornalismo em plena ditadura militar, a capacidade de traduzir em poucas linhas "a complexa natureza humana e a sociedade brasileira" e o humor que imortalizou personagens como a Velhinha de Taubaté, Ed Mort e o Analista de Bagé.

O escritor Fabrício Carpinejar, lamentou a morte de Verissimo. "É um vazio insubstituível", disse ele ao Estadão. "O Verissimo não fala de si, não faz comentário da sua vida privada. Todas as suas crônicas giram em torno de personagens", observou, e disse que Verissimo transformou a crônica num gênero da terceira pessoa. "Verissimo deixa personagens, não deixa herdeiros, ele é inimitável."

Para o escritor e editor Rodrigo Lacerda, Veríssimo era daqueles escritores de que todo mundo gosta. "Respeitado, admirado, como outros grandes escritores, porém mais de perto, com mais intimidade, graças ao humor delicioso. Acho que deixou muitos seguidores. Sobretudo entre os cronistas", afirmou.

O historiador Leandro Karnal, colunista do Estadão, também homenageou Verissimo. Ele lembrou que o pai do cronista, o também escritor Érico Verissimo, levou o Rio Grande do Sul ao mundo em obras como O Tempo e o Vento e Incidente em Antares. Já Luis Fernando, disse Karnal, fez o caminho inverso, trazendo para dentro das famílias reflexões sobre a classe média e o choque de gerações. Suas personagens, destacou, retratavam de forma "deliciosamente brilhante" o cotidiano e as relações entre pais e filhos, passado e presente. "Eu acho que os dois, especialmente para mim, que conheci o Luis Fernando Verissimo, são uma memória do gênio aplicada à literatura", afirmou.

A Academia Brasileira de Letras (ABL) também lamentou a morte de Verissimo. Em nota, destacou sua trajetória no jornalismo e na literatura, com mais de 60 livros publicados, entre crônicas, contos, romances e sátiras políticas, e o sucesso de obras como Comédias da Vida Privada e As Mentiras que os Homens Contam. A instituição lembrou ainda sua paixão pelo jazz e expressou solidariedade à esposa, Lúcia, aos filhos, netos, amigos e leitores.