Morreu neste sábado (30), aos 88 anos, o escritor e cartunista Luis Fernando Verissimo, em Porto Alegre. O cronista internou em estado grave na capital do Rio Grande do Sul, no dia 11 de agosto de 2025, para tratar um princípio de pneumonia. Verissimo também já sofria com o mal de Parkinson, problemas cardíacos e teve um AVC em 2021. Em 2022, recebeu um marcapasso no coração.

O Hospital Moinhos Ventos, em Porto Alegre, divulgou desde o início da internação que o estado de saúde de Luis Fernando era complicado, devido às outras condições de saúde. No local, ele foi assistido pela equipe médica formada por Luiz Antônio Nasi e Guilherme Alcides Flores Soares Rollin.

Quem foi Luis Fernando Verissimo?

Luis Fernando Verissimo, escritor gaúcho nascido em 26 de setembro de 1936 em Porto Alegre, consolidou-se como um dos autores mais vendidos da literatura brasileira contemporânea, com extensa produção de crônicas, romances e contos marcados por humor refinado e crítica sociopolítica. O filho do escritor modernista Erico Verissimo também atuou como saxofonista na banda Jazz 6, unindo suas paixões pela literatura e música.

Sua formação intelectual foi influenciada por experiências em dois países. Os primeiros estudos formais aconteceram nos Estados Unidos entre 1943 e 1945, quando seu pai lecionava na Universidade da Califórnia. Após período no Brasil, retornou aos EUA aos 16 anos para estudar na Roosevelt High School, em Washington, voltando ao Brasil em 1956.

A trajetória profissional de Verissimo começou efetivamente no jornalismo. Em 1962, trabalhou no Rio de Janeiro no jornal da Câmara de Comércio Americana. Em 1967, de volta a Porto Alegre, iniciou colaboração com o jornal "Zero Hora" e atuou como redator na MPM Propaganda.

Nos anos 1970, expandiu sua atuação escrevendo para o Folha da Manhã e para o Jornal do Brasil, enquanto trabalhava como tradutor. Na década seguinte, viveu novamente nos Estados Unidos com sua família. Em 1982, começou a colaborar com a revista Veja e, em 1989, tornou-se colunista de O Estado de S. Paulo. Dez anos depois, em 1999, passou a escrever para O Globo.

Na televisão, atuou como redator de programas da TV Globo, incluindo "Planeta dos Homens" e "Viva o Gordo". Em 1997, recebeu o troféu Juca Pato na categoria Intelectual do Ano, consolidando seu reconhecimento no cenário cultural brasileiro.

A obra de Luis Fernando Verissimo é vasta e diversificada. Entre seus romances destacam-se "O Jardim do Diabo" (1987), "O Clube dos Anjos" (1998), "Borges e os Orangotangos Eternos" (2000), "O Opositor" (2004), "A Décima Segunda Noite" (2006) e "Os Espiões" (2009).

Sua produção literária começou na década de 1970 com "O Popular" (1973), seguido por "A Grande Mulher Nua" (1975), "Amor Brasileiro" (1977) e "O Rei do Rock" (1978). Os anos 1980 foram particularmente produtivos, com a publicação de títulos como "O Analista de Bagé" (1981), "A Mesa Voadora" (1982) e "A Velhinha de Taubaté" (1983).

Nos anos 1990, o autor lançou obras como "Orgias" (1989), "Pai Não Entende Nada" (1990) e "Comédias da Vida Pública" (1995). No século XXI, publicou "A Mancha" (2004), "Em Algum Lugar do Paraíso" (2011), "Diálogos Impossíveis" (2012) e "Os Últimos Quartetos de Beethoven" (2013).

Um de seus romances mais conhecidos, "O Clube dos Anjos", publicado em 1998, é um romance policial que aborda a gula como tema central. A narrativa é conduzida por um narrador-personagem chamado Daniel, que junto com seus amigos mantém o hábito de reuniões periódicas para desfrutar de prazeres gastronômicos, formando o "Clube do Picadinho".

As obras de Verissimo apresentam características distintivas que conquistaram um vasto público leitor no Brasil. Entre elas estão a ironia, o humor refinado, a abordagem de elementos do cotidiano brasileiro, a crítica sociopolítica, a linguagem objetiva, o cenário urbano e o caráter satírico.

Foi durante sua adolescência nos Estados Unidos que Verissimo desenvolveu sua paixão pelo jazz, que mais tarde o levaria a se tornar saxofonista. Nos anos 1990, integrou-se à banda brasileira Jazz 6, unindo literatura e música em sua trajetória artística.