ENTRETENIMENTO

8 alimentos de origem indígena para celebrar a tradição

Veja em que é baseada a culinária de alguns povos originários e como é importante valorizá-la

Por Gabriele Lisboa
Publicado em 19 de abril de 2024 | 16:45
 
 
 
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A culinária indígena brasileira é uma expressão direta da relação íntima que os povos originários têm com a terra e seus recursos naturais. Esses alimentos não apenas nutrem o corpo, mas também carregam consigo a sabedoria e as tradições desses povos. Conhecê-los é adentrar um universo de sabores e práticas que preexistem à formação do Brasil contemporâneo. Por isso, confira oito alimentos fundamentais da cultura indígena brasileira, seus usos e a importância de mantê-los vivos em nossa cultura alimentar.

1. Mandioca

Chave na alimentação de diversos povos indígenas, a mandioca é utilizada de formas extremamente variadas. A partir dela, se produz a farinha, o polvilho e a tapioca. Existe uma distinção importante entre a mandioca-mansa, que pode ser consumida cozida, e a mandioca-brava, que precisa ser processada para remover toxinas antes de seu consumo. Essa transformação é um processo cuidadoso que envolve ralar, prensar e cozinhar a raiz, demonstrando a complexidade do conhecimento indígena sobre suas propriedades.

2. Milho

O milho é cultivado por indígenas em todo o Brasil. As técnicas de plantio variam entre os territórios, adaptadas às diferentes condições ecológicas e culturais. Ele é consumido de diversas maneiras: cozido, como canjica; moído, em forma de mingau; ou fermentado para a produção de bebidas tradicionais. O milho também possui um papel destacado em celebrações e rituais, sendo um símbolo de fertilidade e prosperidade.

3. Pequi

O pequi, com seu sabor e aroma intensos, é muito utilizado na culinária do Centro-Oeste, especialmente no estado de Goiás. O fruto é típico do Cerrado e é coletado diretamente do ambiente natural, sendo um exemplo da relação sustentável que os povos indígenas mantêm com a terra. Seu uso vai além da cozinha, entrando na medicina tradicional, na qual é utilizado para tratar resfriados e dores de estômago.

Fruta açaí em baldes em uma canoa laranja na floresta
O açaí é um componente essencial na dieta de povos da Amazônia (Imagem: PARALAXIS | Shutterstock)

4. Açaí

Antes de se popularizar como um superalimento, o açaí já era uma componente fundamental na dieta dos povos indígenas da Amazônia. Este pequeno fruto roxo é geralmente batido e consumido gelado com farinha de mandioca. Nutricionalmente, é rico em antioxidantes, fibras e gorduras saudáveis, o que faz dele uma fonte vital de energia para os indígenas, especialmente para os caçadores e pescadores.

5. Castanha-do-pará

A castanha-do-pará é colhida das grandes árvores de castanheira, sagradas para muitos povos indígenas da região amazônica. A coleta das castanhas, que caem naturalmente dos galhos, é feita durante a estação chuvosa. Este fruto seco é altamente nutritivo, rico em selênio e ácidos graxos essenciais e se trata de um exemplo claro de um recurso alimentar que também contribui para a economia local de forma sustentável.

Possuindo alto teor de gordura saudável, o consumo de castanha ajuda a inibir o colesterol LDL (o “mau” colesterol) no sangue. “Elas regulam os níveis de colesterol, reduzindo o LDL (colesterol ruim) e aumentando o HDL (colesterol bom), prevenindo arteriosclerose e hipertensão, contribuindo para um coração e um cérebro mais saudável”, explica a nutricionista Natália Colombo.

6. Tucupi

O tucupi é o suco amarelo que se obtém após a fermentação da mandioca-brava. Famoso por seu papel em pratos como o tacacá e o pato no tucupi, além do sabor único, é valorizado por suas propriedades medicinais, incluindo ação anti-inflamatória e analgésica. Seu preparo envolve conhecimentos detalhados sobre fermentação, que garantem a segurança de seu consumo.

Nozes de baru em recipiente e ao redor
A noz de baru é rica em proteínas (Imagem: Brent Hofacker | Shutterstock)

7. Baru

Trata-se de uma fonte importante de nutrientes nas regiões do Cerrado. Rica em proteínas, fibras e antioxidantes, essa noz não só oferece benefícios nutricionais, como também desempenha um papel em práticas culturais e rituais. A coleta do baru respeita os ciclos naturais da planta, o que garante a preservação tanto da espécie quanto do ambiente.

8. Jambu

O jambu é notável por sua capacidade de causar uma sensação de formigamento na boca, sendo usado para adicionar uma dimensão única a pratos como o tacacá. Além de seu uso culinário, o jambu é valorizado por suas propriedades medicinais, como analgésico e anti-inflamatório natural. O cultivo e o uso do jambu demonstram um profundo conhecimento das propriedades das plantas que circundam as comunidades indígenas.

Importância de cultivá-los

Preservar as tradições alimentares indígenas no Brasil é essencial não só para a valorização cultural, mas também para promover a biodiversidade e a sustentabilidade ambiental. Esses alimentos, profundamente enraizados na história e nos costumes dos povos originários, oferecem lições importantes sobre o uso responsável dos recursos naturais e sobre dietas nutricionalmente ricas e diversificadas.

Incluir na nossa alimentação diária produtos como a mandioca, o açaí e a castanha-do-pará, por exemplo, significa apoiar métodos de cultivo que respeitam o meio ambiente e que ajudam na conservação dos ecossistemas. Além disso, esses alimentos possuem altos valores nutricionais, muitas vezes superiores aos dos produtos industrializados comumente consumidos.

Por exemplo, “as frutas nativas brasileiras, originárias de diversos biomas, são ricas em compostos bioativos, e seu processamento permite não apenas o consumo in natura, mas também produz subprodutos ricos em elementos valiosos como os fenólicos, proporcionando benefícios substanciais à saúde”, explica a nutróloga Dra. Marcella Garcez,

Por meio de sua integração em nossa cozinha, reafirmamos o respeito pela sabedoria indígena e contribuímos para a continuidade de práticas que beneficiam a saúde do planeta e das pessoas. Assim, ao valorizar esses ingredientes, nós não apenas enriquecemos nossa dieta, mas também fortalecemos um legado de conhecimento, respeito e coexistência com a natureza.

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