O nome de Marcus Preto, 45, já apareceu inúmeras vezes nas páginas dos jornais. A diferença é que, dessa vez, em vez de assinar a matéria, é ele o personagem principal. Isso graças ao fato de ter se tornado o produtor predileto de astros da música brasileira, como Erasmo Carlos, Gal Costa, Tom Zé, Mallu Magalhães, Paulo Miklos e Nando Reis, com quem está em estúdio atualmente. “A música veio antes. Não seria jornalista de esportes ou política. Nem sei ser jornalista, o que sei fazer é pensar sobre música”, afirma ele, a quem a alcunha de filósofo e músico também não alcançam, embora tenha iniciado, sem concluir, os dois cursos.
“A-bandonei tudo. Desisti de ser músico porque, além de não ser bom o suficiente, achei chato viver tocando violão. E, na época em que cursei filosofia, eu era muito solitário, tinha 18 anos”, relembra. Já o encontro com o jornalismo nem sequer passou pelas salas de aula. Certo dia, Preto resolveu enviar um e-mail para Mônica Figueiredo, editora de redação da “Revista MTV”, que tinha acabado de chegar ao mercado. “Ela respondeu dizendo que queria me conhecer e me contratou”, conta o produtor.
Projetos. Preto não para. A lista de projetos inclui a finalização do álbum em que Nando Reis se debruça sobre o repertório de Roberto Carlos e a direção do show subsequente; o primeiro disco de inéditas de Wanderléa em três décadas (o último saiu em 1989); o DVD de “A Pele do Futuro”, de Gal; e o CD da Scalene, banda de rock que, segundo ele, quer um trabalho mais brasileiro. “Por isso me chamaram”.
Fora dessa seara estritamente musical, o produtor é responsável pela trilha sonora de dois filmes dirigidos por Rafael Gomes (oriundo do teatro, onde montou “Um Bonde Chamado Desejo” e “Gota D’Água”). Em “Música Para Cortar os Pulsos”, a trilha foi tocada ao vivo por Milton Nascimento, Clarice Falcão, Fafá de Belém, Tim Bernardes, Maria Gadú, Maurício Pereira e César Lacerda. A outra empreitada, “Meu Álbum de Amores”, é um musical com sete inéditas compostas em parceria por Arnaldo Antunes e Odair José.
Acasos. Toda essa história começou, no entanto, meio por acaso. Numa das visitas que Preto fez a Tom Zé a fim de colher depoimentos para uma biografia, encontrou o músico abatido. Ele havia gravado uma locução para o comercial da Coca-Cola sobre a Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil. A reação por meio da internet foi imediata e não poupou o tropicalista baiano. “Falei para o Tom Zé: pega essa gente que está te xingando e faz música com isso. Aí ele me falou: então você vai ter que me ajudar”. Assim nasceu o EP “Tribunal do Feicebuqui” (2013), gravado com O Terno, Trupe Chá de Boldo e Filarmônica de Pasárgada por sugestão de Preto. “Eram moleques novos fãs do Tom Zé”, diz. Na sequência veio “Vira Lata na Via Láctea”, em 2014.
Com Gal, a parceria novamente teve por princípio outro pretexto. A ideia de Preto era conceber um documentário sobre o disco “Fa-Tal: Gal a Todo Vapor” (1971). “Começamos a conversar sobre como seria o próximo disco dela, e ela me perguntou se eu não queria produzir. Não tive dúvidas”, diz. A partir de “Estratosférica” (2015), ele pegou gosto pelo ofício. “Até para comer arroz com feijão uso minhas ideias musicais”, conclui.
Música para explodir preconceito
Marcus Preto viajava num avião com Gal Costa. Os destinos eram o Rio e um ensaio da Trinca de Ases (com Gilberto Gil e Nando Reis). De repente, a cantora animou-se com uma ideia e logo a compartilhou com Preto. “E se você pedisse uma ‘sofrência’ para a Marília Mendonça para eu gravar como se fosse ‘I Will Survive’ (sucesso de Gloria Gaynor)?”, disse Gal. Marília enviou 15 músicas pelo celular, e a dupla elegeu a primeira, “Cuidando de Longe”.
“Gal fez a ponte entre música sertaneja e MPB em 1973, ao gravar ‘Índia’, um clássico da dupla Cascatinha e Inhana”, rememora Preto. “A música que era considerada brega virou a coisa mais cool do mundo. A Gal sempre foi importante para implodir e explodir o preconceito. Tropicalismo é isso”, conceitua. É por essa razão que a volta de um discurso discriminatório no centro da política nacional desalenta Preto.
“Parece que cultura não é importante, quando ela é fundamental para cuidar da nossa cabeça e sanidade mental, para não repetir os erros do passado como estamos fazendo”, afirma. “A música está sempre pronta para a briga”, finaliza.
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