Coronavírus

Teste rápido da Covid-19 tem chance de acerto de só 25% em resultados negativos

Ministério da Saúde apontou limitações importantes nos testes doados pela Vale, que começaram a ser distribuídos aos Estados


Publicado em 02 de abril de 2020 | 08:48
 
 
 
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O Ministério da Saúde apontou "limitações importantes" nos testes rápidos doados pela Vale que começaram a ser distribuídos aos Estados e destacou que, nas análises que apontam negativo para a Covid-19, a probabilidade de que o resultado reflita a realidade é de apenas 25%.

As informações constam em documento distribuído a gestores estaduais e municipais, que manifestam preocupações com o baixo índice de acerto dos testes, que não detectam o novo coronavírus.

Os testes rápidos – que buscam anticorpos produzidos contra o vírus – são indicados apenas para profissionais que estão na linha de frente do combate à doença, como agentes de saúde e de segurança. A análise é feita após o sétimo dia de apresentação de sintomas.

A preocupação dos gestores nos Estados é que o alto volume de falso-negativos gera insegurança na hora de definir os profissionais que estão aptos a trabalhar na emergência sanitária e os que precisam cumprir isolamento.

As dificuldades foram reconhecidas pelo ministério, que promete enviar instruções com recomendações para o melhor uso das análises.

"O material adquirido de empresa chinesa para doação ao Ministério da Saúde apresenta limitações importantes. A pasta está ajustando as instruções e elaborando uma nota informativa com recomendações e orientando o uso do teste para garantir que o uso dele pelos Estados e municípios seja coerente com o que o teste pode oferecer", afirmou a pasta em nota.

O ministério começou a distribuir nessa quarta (1º) um primeiro lote de 500 mil testes rápidos, de um total de 5 milhões adquiridos e doados pela mineradora.

O valor preditivo positivo – que expressa a probabilidade de um paciente com o teste positivo de fato ter a doença – é maior, de 86%. A baixa proporção de acertos nos resultados negativos para a Covid-19 é explicada, segundo a infectologista Carolina Lázari, pela divergência entre a sensibilidade do produto apresentada pelo fabricante chinês e a certificada por uma rede de laboratórios no Brasil.

Enquanto o fabricante apontou sensibilidade de 86%, a análise laboratorial feita pela empresa brasileira indicou desempenho inferior, de 32%.

Nessa quarta, o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) afirmou que esse tipo de análise "tem um índice de sensibilidade que dá falso-negativo". "(O resultado) não é uma sentença de que (o paciente) é negativo. Já o RT(-PCR, um teste de biologia molecular) tem sensibilidade muito mais alta. Os testes rápidos vamos usar muito para testar sequencial. Ah, mas só dá 30%, 40% de sensibilidade... Ok, se a gente faz em rodada, vamos aumentar a nossa percepção, e usamos isso como boa ferramenta de auscultar a nossa sociedade", declarou o titular da pasta, em coletiva no Palácio do Planalto. "O teste rápido veio em parceria muito comemorada e conseguimos trazer. Agradeço a Vale, que tem doado. Vamos saber usá-los e tirar o máximo de informação que (eles) podem nos dar", complementou.

Em nota, o Ministério da Saúde argumentou também que os testes rápidos serão usados como uma ferramenta para o auxílio no diagnóstico da Covid-19. "Os resultados negativos não excluem a infecção por Sars-Cov-2", ressalta.

A pasta argumenta ainda que análises feitas após o sétimo dia do início dos sintomas podem "melhorar os parâmetros para o resultado".

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