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Audiovisual

Mostra Curta Circuito: 20 anos de valorização e respeito ao cinema nacional

Com podcasts, webinários e programação totalmente gratuita e online, evento começa neste sábado (10) e, ao longo de uma semana, vai exibir sete longas

Sáb, 10/10/20 - 11h38
"Fé e Fúria", documentário do mineiro Marcos Pimentel, é um dos sete filmes que serão exibidos na mostra | Foto: Reprodução

Estava tudo pronto. As passagens aéreas dos convidados já haviam sido compradas e a reservas nos hotéis devidamente agendadas. A ansiedade era grande, já que se tratava da edição que celebra os 20 anos do Curta Circuito, uma das mais antigas mostras de cinema realizadas no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes.

Entretanto, no meio do caminho tinha uma inesperada pandemia e o evento, que aconteceria de março a junho, teve de ser repaginado. “O mundo parou”, brinca a diretora do Curta Circuito, Daniela Fernandes, que, em maio, diante das incertezas próprias de uma quarentena, ainda tentou colocar o formato presencial de pé para agosto, mas a pandemia não deu trégua.

A solução encontrada ainda naquele mês, pois cancelar o evento não passava pela cabeça da produção, foi manter a programação pensada por meses e meses. Neste sábado (10), às 19h, depois de reinvenções e adaptações, a 20ª edição do festival começa em tons de celebração à memória e à identidade do cinema brasileiro. “Dois mil e vinte é um ano de resistência e luta pelo cinema brasileiro”, observa Daniela.

Até o dia 16, sexta-feira próxima, serão exibidos, ao todo, sete filmes nacionais e quem puxa a fila já é o clássico “Espelho de Carne”, de 1984, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura. Completam a lista “Prova de Fogo”, “As Quatro Chaves Mágicas”, “Ele, o Boto”, “Filme Demência”, “O Princípio do Prazer” e “Fé e Fúria”. A mostra traz um filme por dia, sempre às 19h, e cada um deles fica disponível por 24h após a apresentação. A programação é gratuita e os filmes serão exibidos na plataforma Looke. (Confira a programação completa no fim da matéria)

Ao ganhar as plataformas digitais, as atividades do Curta Circuito foram ampliadas e novos conteúdos foram criados exclusivamente para a internet. Segundo a diretora, era fundamental que em meio à pandemia os espectadores não tivessem ausência de materiais sobre os longas.

Entre junho e julho, em parceria com o Centro Universitário Una, a produção do Curta Circuito gravou com todos os realizadores e convidados que participariam da edição presencial. Para quem quiser trocar informações em tempo real, haverá um salão digital, aberto durante as exibições, em formato de grupo do Telegram para a interação virtual do público.

“Tentamos abastecer nosso público de uma forma que ele tivesse total acesso aos filmes que vamos exibir. Vamos ter um caderno de crítica em duas versões - PDF e áudio book -, webinars para ver e ouvir, podcasts, uma gama completa de conteúdos sobre os filmes. Isso é muito importante e vai ficar no nosso site”, ressalta. Outra novidade é a criação de uma uma lojinha virtual com artigos personalizados, como sabonetes, hidratantes e esfoliante, feitos em parceria com produtores locais para valorizar a cadeia criativa de Belo Horizonte.

Processo de curadoria

Curadora da mostra desde 2017 ao lado de Carlos Ormond, Andrea Ormond diz que a ideia, dentro do tema deste ano, “Fé, Magia e Mistério”, foi, primeiro, diferenciar cada conceito e, posteriormente, selecionar filmes que representassem bem o conceito da 20ª edição do festival e que pudessem tocar as pessoas.

“Fé é aquela crença em algo, mesmo que você não tenha provas. No ‘Fé e Fúria’ temos um conflito de religiões, por exemplo, e temos também o ‘Prova de Fogo’. Com magia a gente pode trabalhar no termo do fantástico, aí vem o ‘As Quatro Chaves Mágicas’ e ‘Ele, o Boto’. E a ponta final, o mistério, que é o oculto, fechamos com ‘Espelho de Carne’, ‘Filme Demência’ e ‘O Princípio do Prazer’. Tentamos dar uma guinada fora do real e ficamos muito felizes com o resultado", comenta a curadora.

Resistência e preservação

Diretor de “Fé e Fúria”, documentário que aborda os conflitos religiosos existentes em favelas e subúrbios do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, o mineiro Marcos Pimentel acompanha o Curta Circuito desde as suas origens, em 2001, quando surgiu como uma espécie de cineclube no Cine Humberto Mauro. De lá pra cá, muita coisa mudou, o evento ganhou caráter de festival e passou por mudanças na linha editorial, sem nunca deixar a preocupação com a memória e a preservação do cinema nacional de lado, inclusive atuando na restauração de filmes minieiros históricos, como “Tostão, A Fera de Ouro”.

“Acabamos nos envolvendo com a preservação da memória do cinema brasileiro. Começamos a ter esse olhar em 2010 e, desde então, temos nos dedicado a isso”, afirma Daniela Fernandes. A diretora do festival também cita os cadernos com mais de 100 críticas, todos eles disponíveis no site do evento, sobre a produção nacional das décadas de 60 até os dias atuais como um ponto de destaque entre as ações do Curta Circuito. 

Segundo Marcos Pimentel, a mostra foi e é muito importante para a formação do olhar de diferentes gerações de cineastas mineiros. “É muito gratifIcante voltar a ter uma obra exibida em um festival que acredito no tipo de ação que ele proporciona”, pondera. Pimentel enaltece os objetivos que norteiam o Curta Circuito: “Acho uma mostra muito brava no sentido de peitar, se reinventar e brigar pela existência do cinema brasileira. São 20 anos de resistência, um trabalho que temos que bater palma”.

E, embora sinta falta do calor humano de um festival de cinema, o realizador enfatiza as ações virtuais propostas pelo Curta Circuto em sua edição de 20 anos. “Acho fantástico ter podcasts, seminários web… Isso faz com que exista a reflexão crítica e debate sobre as obras mesmo que não consigamos encontrar com o público. Infelizmente, perdemos o ao vivo, a reação espontânea, mas não deixaremos de falar sobre as obras, de dividir com as pessoas essa discussão”, pontua o cineasta.

Programação (Sinopses no site do Curta Circuito)

Sábado, 10/10 

"Espelho de Carne" | Antonio Carlos da Fontoura, RJ, 1984, 102’

Webinar e Podcast com o diretor Antonio Carlos da Fontoura e a a curadora Andrea Ormond.

Domingo, 11/10

"Prova de Fogo" | Marco Altberg, RJ, 1980, 90’

Webinar e Podcast com o diretor Marco Altberg e a curadora Andrea Ormond

Segunda-feira, 12/10

"Fé e Fúria" | Marcos Pimentel, BH, 2019, 103’

Webinar e Podcast com o diretor Marcos Pimentel e a curadora Andrea Ormond,

Sessão Acessibilidade - Legenda Descritiva

Terça-feira, 13/10 

"As Quatro Chaves Mágicas" | Alberto Salvá, RJ, 1971, 105’

Webinar e Podcast com a atriz Dita Côrte-Real e a curadora Andrea Ormond

Quarta-feira, 14/10

"Ele, o Boto" | Walter Lima Jr., RJ, 1987, 108’

Webinar e Podcast com o diretor Walter Lima Jr. e a curadora Andrea Ormond

Quinta-feira, 15/10

"Filme Demência" | Carlos Reichenbach, SP, 1986, 92’

Webinar e Podcast com o crítico Fernando Oriente e a curadora Andrea Ormond

Sexta-feira, 16/10

"O Princípio do Prazer" | Luiz Carlos Lacerda, RJ, 1979, 90’

Webinar e Podcast com o diretor Luiz Carlos Lacerda e a curadora Andrea Ormond

 

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