Representatividade

Tatiana Lagôa

Representatividade

“Opinião Sim, Ofensa Não”

Publicado em: Sex, 03/09/21 - 03h24

Existe limite para opinião? Uma pergunta polêmica para ser feita em um espaço opinativo como esta coluna. Mas vamos por partes. No jornal, temos as diversas editorias com matérias informativas e relatos dos fatos, sem opinião de quem os reporta. Já nas colunas, como esta, em tese, podemos expressar o que pensamos. Em tese por quê? Óbvio que não estou fazendo uma denúncia de censura. Só que a minha liberdade de expressão, assim como a de qualquer pessoa, é (e que ótimo que sim) limitada por algumas regras básicas, e a principal delas é:  não posso cometer crimes por aqui. Logo, eu não posso usar este espaço para ofender, difamar ou qualquer coisa do tipo. Convivo muito bem e feliz com essa “proibição”. 

Acho que essa regra básica de convivência facilita, e muito, as relações. No passado, antes de termos essa configuração social de hoje, alguém achou interessante criar umas “etiquetas” para uma vida harmônica.  

Esses combinados foram o que nos permitiu evoluir para o ponto em que estamos. Caso contrário, talvez estivéssemos matando uns aos outros para ocupar cavernas mais próximas da água e de terras férteis. Parece exagero, mas não é. A proibição de tirar a vida do outro está na lei, na Bíblia, nos combinados entre amigos. Você realmente acha que, se não tivesse necessidade de reforçar essa regra, a teriam colocado em tantos lugares? Brincadeiras e exageros à parte, eu dei essa volta toda para mostrar que algumas imposições realmente precisam ser seguidas.  

A proibição de assassinar qualquer pessoa, mesmo que ela te irrite muito, se enquadra nos outros crimes. É para seguir, e ponto. E aí você deve estar lendo isso aqui e pensando: “O que isso tem a ver com o limite para a opinião?”. E eu te respondo: tudo! Se é tão fácil entender que matar é proibido, e pronto, por que não é tão simples o mesmo raciocínio quanto a outros crimes? Sim, concordo que assassinato é pesado. Pesadíssimo! E, por isso, é crime. Da mesma forma que cometer racismo é pesado! Pesadíssimo! E, também por isso, é crime!  

A diferença é que um já foi assimilado como errado socialmente, e o outro, não. Ou não para uma parte da população.  Sabia que no Brasil Colônia a lei permitia ao marido matar a mulher se ela fosse descoberta em adultério?  Depois de muita luta, nós, mulheres, conseguimos o direito de sermos mantidas vivas. O alto índice de feminicídio indica que nem todo mundo assimilou essa regra, e isso valeria outra coluna, porque é um assunto de importância enorme também. Só que eu preciso finalizar a tese que comecei lá em cima e seguir no foco da existência de um limite para a opinião. 

Se você chegou até esta parte do texto, já deve ter notado que sou contra argumentos que ofendam o outro, e, nesse sentido, o discurso precisa ter um filtro. Não é um controle do que você pensa, e sim do que você diz e escreve. Em resumo, não dá para sair insultando todo mundo em redes sociais porque a ofensa é legalmente proibida, assim como racismo é crime. Foi para lembrar tudo isso que os jornalistas da Sempre Editora se uniram na campanha “Opinião Sim, Ofensa Não” nesta semana. E você? Pode levantar a mesma bandeira, basta querer.

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