Sem papas na língua

Em pauta sobre Lei Kandir, Kalil não poupa governo Zema e nem Bolsonaro

Prefeito de BH fala em ameaça real de fechar leitos e até hospital na capital por falta de acordo com o governador. Sobre o presidente, ele avalia governo como ruim e cita "factóides" para se desviar o foco de assuntos relevantes

Qua, 31/07/19 - 13h01
Alexandre Kalil assina carta sobre a Lei Kandir

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, participou nesta quarta-feira (31) de uma solenidade na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para assinar a Carta de Minas, documento elaborado pelo Legislativo com o objetivo de recuperar perdas relacionadas à Lei Kandir. Porém, ao falar com a imprensa, o chefe do executivo de BH voltou sua metralhadora de palavras contra o governo de Romeu Zema, mais precisamente para o secretário de Fazenda, Gustavo Barbosa, e também para o presidente Jair Bolsonaro, a quem foi categórico em afirmar que não vem fazendo um bom governo até aqui.

Para o mandatário da capital, o governo de Bolsonaro tem se utilizado de "factóides" reverberados pela imprensa de um modo geral para desviar o foco de assuntos importantes como o SUS, o desemprego de 13 milhões de brasileiros e outras pautas delicadas. Ele tocou no assunto ao se explicar em relação aos comentários feitos sobre a fala do presidente relacionadas ao sumiço de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira nos tempos da Ditadura Militar. Fernando é pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.

“Vou tentar ser mais claro. Ele (Fernando) foi morto pela ditadura militar, óbvio que é um acinte a uma família falar de um camarada assassinado. Mas isso já passou. Há uma criação de factóides para (ofuscar) problemas reais que atingem o povo brasileiro. Qual o plano para o SUS, para ação social no país, para criação de emprego para 13 milhões de brasileiros? Não tem, porque estão aí discutindo coisa que aconteceu em 64. Há um desvio de foco para o que realmente precisa ser feito no Brasil”, disparou, para em seguida emendar sua avaliação sobre o mandato dele até aqui.

“Bolsonaro é o presidente da República, teve 58 milhões de votos. Ele tem que ser respeitado e se dar ao respeito. (Bom presidente?) Por enquanto não”, completou.

Outro que não foi poupado de críticas e reclamações foi o secretário da Fazenda do governador Romeu Zema, Gustavo Barbosa. Na noite dessa terça (30), Alexandre Kalil usou seu Twitter para alfinetar Barbosa, e, consequentemente, o governador. Ele explicou qual foi o recado.

“Fizemos uma reunião e ficamos combinados do que falaríamos para a imprensa. Quando ele dá uma nota ditando as regras do que vai fazer com Belo Horizonte está esquecendo o seguinte: que quando eu fechar um hospital ou leitos, como vai ter que acontecer, vou para a justiça e não vou receber precatório porque juiz de direito que fecha hospital tem nome e sobrenome. Ele tem que saber que BH merece respeito e que 65% da população que ele deveria cuidar, quem cuida é a prefeitura”, afirmou.

Sobre um prazo para que esta atitude seja tomada, Kalil afirmou que haverá uma reunião na segunda-feira para se tratar do tema e ele espera que ela seja de "bom tom".

Lei Kandir

Apesar de não fugir ao embate com o presidente Jair Bolsonaro e com o governador Romeu Zema, o tema da solenidade na ALMG nesta quarta foi a assinatura de um documento em prol do ressarcimento pelo Estado relacionado à Lei Kandir. Alexandre Kalil foi recebido pelo presidente da Casa, Agostinho Patrus, para assinar a Carta de Minas, juntamente com outros deputados federais e estaduais.

O documento vai contar com assinaturas de políticos de todos os níveis exigindo uma resposta do governo Federal. Sobre o assunto, Kalil desejou sorte aos representantes mineiros e exigiu o cumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A Justiça tem que ser o pilar da democracia, e quando há desobediência à Justiça, a democracia corre risco. Esse é um assunto de desobediência ao STF, é gravíssimo. O que espero com essa Carta é que o Supremo tome uma atitude. É uma grande injustiça feita contra Minas Gerais”, completou ao lembrar que o Estado é um dos mais prejudicados pelo descumprimento desta decisão.

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