Glenn Greenwald

Homenagem a jornalista gera debate na Assembleia Legislativa

Deputados criticaram o fundador do The Intercept Brasil e afirmaram que a iniciativa não representa o Legislativo mineiro

Qua, 17/07/19 - 17h27
Deputados discutiram o assunto durante reunião plenária. A pauta segue travada devido ao veto do governador Romeu Zema (Novo), que ainda não foi apreciado

Às vésperas do início do recesso e com a pauta de votações trancada, a Assembleia Legislativa de Minas (ALMG) foi palco de um intenso debate na tarde desta quarta-feira (17). Deputados da bancada conservadora fizeram duras críticas ao voto de congratulação dado ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil. Um requerimento foi apresentado em plenário para barrar a homenagem, que foi concedida pela Comissão de Direitos Humanos da ALMG, a partir de iniciativa da deputada Beatriz Cerqueira (PT).

O deputado Coronel Sandro (PSL) acusou Greenwald de ser um militante político e de se “travestir de jornalista”. O parlamentar disse ter ficado surpreso com a aprovação da homenagem. “Foi divulgado que a Assembleia está formulando esse voto de congratulações, mas não estamos”, disse, afirmando que a iniciativa partiu de um grupo específico da Casa.

Em seu discurso, o deputado fez diversas vezes duras críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao ex-presidente Lula. “Lula é chefe de organização criminosa, condenado pela Justiça. E, se Deus quiser e a Justiça brasileira assim permitir, vai apodrecer na cadeia, esse ladrão sem vergonha que iludiu os que acreditaram nele”, disparou.

Os parlamentares criticaram a divulgação de supostas conversas entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e procuradores da Operação Lava Jato, indicando possíveis irregularidades na condução da operação. “É uma vergonha homenagear esse cidadão, que é um agitador. Uma pessoa que pega dados não periciados e que quer acabar com a lava-jato. O povo não está aí para ele. O povo está com Sérgio Moro, com a Lava Jato. Ele tenta difamar e diminuir a operação”, afirmou Bruno Engler (PSL).

Autor do requerimento que pretende impedir a homenagem, o deputado Bartô (Novo) explicou os motivos de apresentar o pedido. “A aprovação do voto de congratulação causou uma série de revoltas e o pessoal acaba entendendo, mesmo que seja o requerimento de dois deputados em uma comissão, que é da Casa como um todo”, disse, afirmando que a ALMG “cai em descrédito quando se entra em assuntos tão pontuais e polêmicos como esses”

“O requerimento visa ressaltar que precisamos de mais bom senso dentro da Casa, respeitando as diferentes ideais que temos aqui dentro, mas que não extrapole e vá para casos esdrúxulos. Ele é um jornalista partidário, utilizou-se de meios sórdidos e ilícitos (para divulgar as mensagens) e até deturpou o contexto delas”, disse. O parlamentar conseguiu a assinatura de 20 colegas. O requerimento segue para análise da Mesa da ALMG e, para ser aprovado, precisará da chancela de 39 deputados.

Voto de repúdio

Numa resposta à homenagem ao jornalista, os membros da comissão e Segurança Pública incluíram de última hora na pauta do colegiado um voto de repúdio ao Glenn Greenwald. Os parlamentares também aprovaram um voto de aplauso a Sérgio Moro.

“Viemos limpar a imagem dessa casa. Muita gente acha que a Assembleia como um todo quis homenagear aquele canalha, mas não. Foram alguns deputados, que fizeram uso da comissão de direitos humanos, para passar aquela homenagem”, disse o deputado Bruno Engler, membro do colegiado.

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