Os protestos no Chile podem ter impacto na primeira final em jogo único da história da Copa Libertadores. Segundo apurou a reportagem do Super.FC, a Conmebol, apesar de na última semana ter garantido que pretende manter a decisão entre Flamengo e River Plate-ARG no mítico Estádio Nacional, em Santiago, em 23 de novembro, já tem um plano B para a partida.
As mesmas fontes que adiantaram ao Super.FC que o Mineirão corria por fora e o Maracanã seria a sede da final da Libertadores em 2020, fato que foi concretizado depois, conversaram com a reportagem e garantiram: caso a decisão deste ano não ocorra no Chile, será em Assunção, no Paraguai, em La Nueva Olla Azulgrana, o novo e moderno estádio do Cerro Porteño e mesmo palco do duelo decisivo da Copa Sul-americana, entre Colón-ARG e Independiente del Valle-EQU, em 9 de novembro.
A Conmebol, segundo apurou o Super.FC, vai aguardar o desenrolar da situação no Chile até no máximo cinco dias antes da final para tomar sua decisão. Caso o panorama atual continue ou piore até lá, a final será disputada em Assunção. A entidade máxima do futebol sul-americano inclusive já tem até o plano de distribuição de ingressos para a partida. Para evitar mais problemas, o modelo adotado para Santiago será o mesmo para o Paraguai, com 12.500 ingressos para cada torcida dos finalistas e o restante para o público geral.
Confiança
Existe, porém, a expectativa de que a final da Copa Libertadores continue sendo em Santiago. Isso porque o Chile confirmou eventos importantes para os próximos meses, um deles, antes da decisão.
A capital chilena vai receber, entre 11 e 17 de novembro, a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC). Xi Jinping, presidente da China e Secretário-Geral do Partido Comunista da China, e Vladimir Putin, presidente da Rússia, estão confirmados no evento. Depois, entre 6 e 13 de dezembro, a 25ª edição da Convenção-Quadro sobre Mudança Climática da ONU (COP-25), que também terá a presença de vários líderes mundiais, está confirmada para ocorrer em Santiago.
Além disso, neste domingo (27), o presidente chileno, Sebastián Piñera, depois de pedir que seus ministros renunciassem aos cargos, assinou o fim do estado de emergência no país, iniciado em 19 de outubro, após Santiago e várias cidades serem tomadas por protestos contra a crise social, desigualdade e políticas neoliberais do governo. As manifestações foram reprimidas e 20 pessoas chegaram a morrer.
Temor
A Conmebol, porém, segue preocupada e, não à toa, já tem o plano B para a decisão. Na última semana, afinal, mais de um milhão de pessoas tomaram as ruas de Santiago para protestar.
Existe, também, a vontade da entidade de não mostrar fraqueza mais uma vez e, novamente, mudar o palco de uma decisão, especialmente na primeira vez em que a Conmebol adota o modelo de final em duelo único. Vale lembrar que a Copa Sul-americana inicialmente teria seu jogo decisivo disputado em Lima, no Peru, mas a partida foi transferida para Assunção. Primeiro, seria no Defensores del Chaco, mas, em junho, passou para La Nueva Olla Azulgrana.
As duas mudanças não foram os únicos casos recentes. No ano passado, quando a final ainda era disputada em jogos de ida e volta, o confronto decisivo entre River Plate e Boca Juniors foi transferido para o Santiago Bernabéu, em Madri, Espanha, após a torcida millonaria atacar o ônibus dos Xeneizes que ia para o Monumental de Núñez. No ano em que estreia o formato de decisão em partida única tanto na Libertadores quanto na Sul-americana, a Conmebol não quer mais problemas, novas mudanças em cima da hora e passar uma imagem negativa. No entanto, caso a situação não melhore, vai dar o braço a torcer e mudar a sede para Assunção.