SIMBÓLICA

Câmara dos EUA aprova lei para forçar Biden a repassar armas a Israel

Casa Branca suspendeu o envio de 3.500 bombas a Tel Aviv para evitar que armas americanas sejam usadas contra Rafah

Por Agências
Publicado em 16 de maio de 2024 | 21:50
 
 
 

A Câmara dos Deputados dos EUA, controlada pelo Partido Republicano, aprovou nesta quinta-feira (16) uma lei que obriga o presidente Joe Biden, democrata, a seguir realizando entregas de armas a Israel. A medida é essencialmente simbólica, uma vez que não tem chance de prosperar no Senado e seria vetada por Biden.

No último dia 7, a Casa Branca suspendeu o envio de 3.500 bombas a Tel Aviv para evitar que armas americanas sejam usadas em um possível ataque à cidade de Rafah, na Faixa de Gaza, onde se concentram 1,5 milhão de palestinos. No dia seguinte, Biden disse pela primeira vez que bombas dos EUA vem sendo usadas contra civis por Israel.

A lei foi aprovada na Câmara por 224 votos a 187, com 16 democratas apoiando os republicanos. Ao passar a medida, a oposição busca fustigar Biden pela retenção das armas e pelas críticas pontuais que ele e membros do seu governo têm feito a Tel Aviv.

A gestão Biden, que apoiou fortemente Israel desde o início da guerra contra o Hamas em 7 de outubro, vem pressionando o governo Binyamin Netanyahu para que não haja uma invasão de Rafah.

A possibilidade foi aventada diversas vezes pela liderança israelense e criticada por diversos países e pela ONU, que diz que a ação causaria "mortes massivas". A maior parte da população da Faixa de Gaza está em situação de insegurança alimentar, e mais de 1 milhão de palestinos passam fome no território, de acordo com a ONG IPC.

Em uma entrevista coletiva nesta quinta, o presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, disse que Biden vira as costas para Israel ao suspender o envio de armas, e que ele só o fez depois de ser pressionado por manifestações em universidades americanas. "É uma decisão catastrófica com consequências globais. Não passa de cálculo político, e não vamos tolerar isso", disse Johnson.

O Partido Democrata, por sua vez, disse que a iniciativa republicana é politicagem, e que a oposição tenta distorcer a posição de Biden em relação a Israel. "Não é uma legislação séria. Até por isso, alguns dos deputados mais pró-Israel no partido democrata vão votar contra", disse o líder do partido na Câmara, Hakeem Jeffries, antes da votação.

Apesar da suspensão da entrega das bombas, Israel ainda deve receber bilhões de dólares em armas americanas, fruto de legislação aprovada em abril que destinou US$ 95,3 bilhões (R$ 491 bilhões) em ajuda militar para Ucrânia, Israel e Taiwan. Além disso, na última terça (14), o governo Biden enviou ao Congresso mais um pacote de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em armas para Tel Aviv.

(Folhapress)

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