motivação

Atirador de Bruxelas escolheu vítimas porque eram da Suécia; entenda

Suécia foi palco de protestos em que o Alcorão, livro sagrado do islamismo, foi queimado publicamente

Por Agências
Publicado em 16 de outubro de 2023 | 20:31
 
 
 

Dois cidadãos suecos foram mortos a tiros por um homem em Bruxelas nesta segunda-feira (16) e uma pessoa ficou ferida - a motivação do ataque seria a nacionalidade sueca das vítimas, segundo a Procuradoria-Geral da Bélgica, uma vez que a Suécia foi palco de protestos em que o Alcorão, livro sagrado do islamismo, foi queimado publicamente.

O atirador fugiu, e estações de metrô na cidade foram fechadas pelas autoridades. O ataque aconteceu por volta das 19h15, no horário local, na região central da capital belga. A seleção masculina de futebol da Suécia estava jogando contra a equipe belga na cidade, e o jogo foi suspenso no intervalo.

A Bélgica elevou seu alerta de terrorismo ao nível máximo na capital após o ataque. "Nossos pensamentos estão com amigos e familiares que perderam seus entes queridos" disse o premiê belga, Alexander De Croo, em publicação no X (ex-Twitter). Ele também enviou condolências ao premiê sueco e afirmou que "a luta contra o terrorismo é uma luta conjunta".

O premiê disse que acompanhava o caso com ministros da Justiça e de Assuntos Internos e pediu aos residentes da capital que ficassem vigilantes. O ministro do interior da França, Gérald Darmanin, anunciou reforço nas fronteiras entre os dois países.
Em visita à Albânia, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que Bruxelas foi novamente atingida por "um ataque terrorista islâmico" e que "a Europa está abalada".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solidarizou-se com as famílias das vítimas e chamou o ataque de "atentado abjeto". "Meu apoio absoluto às forças policiais belgas para que detenham rapidamente o suspeito. Estamos unidos contra o terror", publicou Von der Leyen em seu perfil no X.

O atentado ocorre poucos dias após um homem invadir uma escola na cidade de Arras, na França, e matar a facadas um professor de língua francesa. O ataque, na sexta, deixou outro professor e um segurança do local feridos - o homem foi preso. O Museu do Louvre e o Palácio de Versalhes fecharam as portas no sábado (14) devido a ameaças de bomba.

O autor teria gritado "Allahu Akbar" (Alá é grande, em árabe), disseram membros da prefeitura e da polícia à agência de notícias AFP. Segundo a polícia, o homem é de origem tchetchena e já é conhecido por órgãos de segurança pelo envolvimento com o islamismo radical.

Relatos de testemunhas ouvidos pela imprensa local em Bruxelas dão conta de que o agressor desta segunda-feira também gritou a frase ao cometer os assassinatos.

Nas redes sociais, um vídeo da ação, reproduzido pela imprensa local, mostra o agressor correndo atrás de pessoas com o que parece ser um fuzil e atirando. Em outro vídeo, um homem reivindica o ataque e diz ser "um guerreiro de Alá" que pertence ao Estado Islâmico e "se vingou em nome dos muçulmanos".

Os alvos do ataque desta segunda serem suecos também traz à memória rusgas mais recentes entre o país nórdico e o Islã. O consentimento de Estocolmo com a realização de atos que envolvem profanação do Alcorão gerou ao longo do ano revolta em países de maioria muçulmana.

Em julho, chancelarias de Arábia Saudita, Qatar e Irã convocaram os diplomatas suecos em seus países - a medida é visto como uma espécie de reprimenda na diplomacia. Líderes religiosos no Iraque e em Teerã, e também de grupos radicais, como o libanês Hizbullah, convocaram a população para protestos e orações nas ruas.

Apesar das suspeitas iniciais, a procuradoria descartou ligações entre o ataque e a guerra atual entre Israel e o Hamas.

Ataques terroristas não têm sido raros em Bruxelas, o centro político da União Europeia. No começo de 2016, poucos meses após os atentados de novembro de 2015 em Paris, terroristas do Estado Islâmico mataram ao menos 31 pessoas em ataque ao metrô e aeroporto de Bruxelas. Em novembro de 2022, um homem que constava em lista de muçulmanos radicas de uma agência de segurança local, gritou "allahu akbar" ao esfaquear dois policiais.

Foi da capital belga, reconhecida como local que abriga bolsões de radicalização islâmica na Europa, que saíram quatro dos 11 terroristas que cometeram os atentados de 2015 em Paris - nos quais 130 morreram e 500 ficaram feridos. Um dos homens que explodiram bombas em trens em Madri, em 2004, também é da Bélgica.

(Folhapress)

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