imprensa atingida

Bombardeio mata um jornalista e fere seis na fronteira entre Israel e Líbano

O cinegrafista Issam Abdallah trabalhava para a Reuters e fazia uma filmagem no momento em que foi atingido

Por Agências
Publicado em 13 de outubro de 2023 | 18:15
 
 
 

Um jornalista da agência de notícias Reuters morreu e outros seis, da AFP, Reuters e Al Jazeera, ficaram feridos nesta sexta-feira (13) no sul do Líbano, anunciaram os três veículos de comunicação.

O grupo de repórteres estava perto de Alma al-Shaab, na fronteira com Israel, quando foi atingido por bombardeios, relatou um dos correspondentes da AFP feridos.

Pouco antes, uma fonte da segurança libanesa havia informado a AFP sobre um bombardeio israelense ocorrido após membros de uma organização palestina tentarem entrar em Israel pelo Líbano.

"Estamos profundamente tristes por saber que nosso cinegrafista Issam Abdallah foi assassinado. Ele fazia parte de uma equipe da Reuters no sul do Líbano", diz um comunicado divulgado pela Reuters.

Também estavam naquela região a fotógrafa Christina Assi e o cinegrafista Dylan Collins, ambos da AFP, que foram levados para um hospital na cidade libanesa de Tiro.

Outros dois repórteres da Reuters - Thaer al-Sudani e Maher Nazeh - "também sofreram ferimentos e buscam atendimento médico", informou a agência.

A rede Al-Jazeera, do Catar, anunciou que dois jornalistas da sua equipe - Carmen Boukhadar e Elie Brakhia - estão entre os feridos e acusou Israel de bombardear o veículo em que eles viajavam.

"Estamos profundamente preocupados com o fato de um grupo de jornalistas claramente identificados ter sido ferido ou morrido enquanto realizava seu trabalho", declarou o diretor de Informação da AFP, Phil Chetwynd.

"Enviamos nossas mais profundas condolências aos nossos amigos da Reuters pela perda de Issam e estamos oferecendo apoio no hospital aos nossos colegas feridos", acrescentou.

Os bombardeios israelenses tiveram como alvo as aldeias de Dhayra, Alma al-Shaab e Adaysseh, informaram os jornalistas da AFP.

Pouco antes de os jornalistas terem sido atingidos, o Exército de Israel havia anunciado "uma explosão na cerca fronteiriça de Hanita", localidade israelense situada em frente à libanesa Alma al-Shaab.

As Forças Armadas responderam com fogo de artilharia contra o território libanês", acrescentou.

O movimento xiita libanês Hezbollah informou que respondeu mirando em posições de Israel. Mais tarde, um porta-voz israelense publicou na rede social X, antigo Twitter, que um avião teleguiado do Exército atacava alvos do Hezbollah.

O Exército também destacou que "um alvo não identificado" cruzou o território de Israel a partir do Líbano e "foi interceptado com sucesso por caças de defesa aérea".

A Força Provisória das Nações Unidas para o Líbano (FPNUL) declarou que colaborou "ativamente com as autoridades de ambos os lados da Linha Azul" para reduzir as tensões.

A Linha Azul corresponde à demarcação traçada entre o Líbano e Israel quando as tropas israelenses se retiraram do sul do Líbano em 2000, após 22 anos de ocupação.

O Líbano e Israel ainda estão tecnicamente em guerra, e as forças de paz da ONU estão deslocadas no Líbano desde 1978.

"A possibilidade de que essa escalada saia de controle é evidente e deve ser interrompida", alertou a força da ONU em um comunicado.

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, afirmou que as forças israelenses haviam "atacado diretamente jornalistas no contexto de seus contínuos ataques no território libanês".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou suas "mais sinceras condolências" pela morte do jornalista da Reuters.

"Esperamos que seja feita uma investigação exata do que aconteceu", acrescentou Stéphane Dujarric, seu porta-voz.

Este é o incidente mais recente em uma série de eventos na fronteira entre Israel e Líbano após o ataque do movimento islamita palestino Hamas em solo israelense no sábado, ao qual Israel respondeu bombardeando diariamente a Faixa de Gaza.

(AFP)
 

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