Tensão

Busca por submarino perdido chega a fase final; acompanhe

Estimativa é que oxigênio acabe totalmente nesta quinta-feira (22/06)

Por Agências
Publicado em 22 de junho de 2023 | 07:33
 
 
 
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A grande operação de busca do submersível Titan, desaparecido no domingo com cinco pessoas a bordo quando seguia para a área dos destroços do Titanic, no Atlântico Norte, entra, nesta quinta-feira (22/06), em uma fase crítica, porque as reservas de oxigênio podem acabar em algumas horas.

A Guarda Costeira dos Estados Unidos mantém o "otimismo", mas a situação é considerada cada vez mais complicada para os passageiros do pequeno submersível de águas profundas da empresa privada OceanGate Expeditions, com oxigênio de emergência para 96 horas.

O anúncio, na quarta-feira (21/06), da detecção de ruídos subaquáticos por aviões P-3 canadenses na área de busca aumentou as esperanças e orientou a equipe internacional de resgate marítimo enviada ao local. "Não sabemos o que são os ruídos", afirmou o porta-voz da Guarda Costeira americana, o capitão Jamie Frederick.

A comunicação com o pequeno submersível Titan foi perdida no domingo, quase duas horas depois de o equipamento iniciar a descida em direção ao que restou do famoso transatlântico Titanic, a quase 4.000 metros de profundidade e a cerca de 600 quilômetros de Terra Nova, no Atlântico Norte.

Viajam no submersível o bilionário e aviador britânico Hamish Harding, presidente da empresa de jatos particulares Action Aviation; o empresário paquistanês Shahzada Dawood, vice-presidente do conglomerado Engro, e seu filho Suleman; o mergulhador francês Paul-Henri Nargeolet, e Stockton Rush, CEO da OceanGate Expeditions, a companhia que opera o Titan, que cobra US$ 250.000 (aproximadamente R$ 1,2 milhão) por turista.

Reforço nas buscas pelo submarino

Cinco barcos, aos quais outros cinco deveriam unir-se nesta quinta-feira, equipados com sonares e tecnologia de ponta, estão varrendo uma área de 20.000 km², aproximadamente o tamanho do estado de Sergipe, e a uma profundidade de quase quatro quilômetros, enquanto aviões sobrevoam o local em busca de qualquer sinal do submersível.

O Pentágono anunciou o envio de um terceiro avião C-130 e de outros três C-17, enquanto um robô submarino, enviado pelo Instituto Oceanográfico francês, será incorporado às buscas.

A Marinha Real do Canadá enviou um navio com câmara hiperbárica a bordo e especialistas com assistência médica, que se une a outra embarcação de serviço da Guarda Costeira equipado com instrumentos de sonar avançados. 

A Horizon Maritime, empresa proprietária do Polar Prince, o barco que lançou o submersível, também está enviando outra embarcação com uma equipe de buscas em águas profundas.

O local da busca "torna a mobilização rápida de grandes quantidades de equipamento algo excepcionalmente difícil", explicou o capitão Frederick.

Os riscos da expedição

Nos últimos dias foi revelado um relatório sobre as falhas de segurança na embarcação. David Lochridge, ex-diretor de operações marítimas da OceanGate Expeditions, a empresa fabricante, demitido por questionar a segurança do Titan, mencionou em uma ação judicial que o submersível é resultado de um "projeto experimental e não testado". 

De acordo com Lochridge, uma parte do submersível foi concebida para resistir à pressão a 1.300 metros de profundidade, e não a 4.000 metros.

Todos estavam cientes dos perigos da expedição, afirmou à "BBC" Mike Reiss, roteirista de televisão americano que visitou os destroços do Titanic no mesmo submersível no ano passado. "Você assina um documento antes de embarcar, e na primeira página a morte é mencionada três vezes", contou, ao lembrar que, durante a imersão em águas tão profundas, "a bússola parou de funcionar imediatamente e começou a girar", fazendo com que eles tivessem que se mover às cegas na escuridão do oceano para buscar o transatlântico, que afundou em 2012, em sua viagem inaugural entre a cidade inglesa de Southampton e Nova York.

Das 2.224 pessoas a bordo do Titanic, cerca de 1.500 morreram em um dos naufrágios mais famosos da história. Desde que os destroços foram descobertos em 1985, a área tem sido visitada por caçadores de tesouros e turistas ávidos por fortes emoções.

Alistair Greig, professor de engenharia marítima na University College London, sugeriu duas hipóteses sobre o que poderia ter acontecido com o Titan. A primeira estaria relacionada a um problema elétrico ou de comunicação, o que não impediria o submersível de voltar à superfície. Outro cenário envolveria danos ao casco de pressão, o que dissiparia as esperanças de encontrar os passageiros com vida.

(AFP)

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