flexibilização

China desativa aplicativo de controle de rastreamento da Covid

Recurso tecnológico era utilizado para verificar se as pessoas haviam transitado por uma área afetada pelo coronavírus

Por Agência
Publicado em 12 de dezembro de 2022 | 08:51
 
 
 

A China anunciou nesta segunda-feira (12) que vai desativar o principal aplicativo de controle de deslocamentos em sua política contra a Covid, que era utilizado para verificar se as pessoas haviam transitado por uma área afetada pelo coronavírus. O anúncio coincide com o aumento do número de casos em uma escala difícil de avaliar porque os exames PCR deixaram de ser obrigatórios e as pessoas geralmente não informam se o autoteste apresenta resultado positivo. 

O aplicativo, conhecido como "Cartão de Itinerário", controlava os deslocamentos do cidadão a partir dos dados do smartphone e mostrava as cidades visitadas nos últimos sete dias. Com base nas informações, a pessoa poderia entrar ou não em um hotel, prédio ou centro comercial. Se o local não era classificado como de "alto risco" (ou seja, com um número elevado de casos), o app mostrava um sinal verde, o que permitia a entrada do usuário. 

O aplicativo, vinculado ao governo central, será desativado a partir de meia-noite de terça-feira, após mais de dois anos e meio em operação, segundo um comunicado oficial. A decisão foi tomada depois que a China anunciou, na quarta-feira passada, uma flexibilização drástica das restrições, uma grande mudança na política de "covid zero" adotada desde o início da pandemia.

O governo anunciou o fim dos confinamentos em larga escala e da internação sistemática de pessoas contaminadas em centros de quarentena.  O ministério da Saúde informou nesta segunda-feira que o país registrou 8.626 novos casos positivos em 24 horas.  O número representa uma queda considerável em comparação com os últimos dias, mas não reflete a realidade da onda epidêmica. 

Uma das figuras mais respeitadas da China na luta contra a covid-19, o especialista em doenças respiratórias Zhong Nanshan, afirmou no domingo a que a variante ômicron se "propaga rapidamente" pelo país.

"O fim de uma era" 

Até a semana passada, a maioria dos chineses não conhecia ninguém que tivesse testado positivo para covid. Mas nos últimos dias, o cenário mudou de forma repentina, especialmente em Pequim.  Junto ao "Cartão de Itinerário, de alcance nacional e que já era utilizado antes da pandemia para controlar as viagens entre províncias, o país tem aplicativos locais que seguem em operação e são utilizados diariamente para permitir o acesso a restaurantes e lojas". 

"Adeus, isto representa o fim de uma era", escreveu uma pessoa na rede social chinesa Weibo. "O próximo passo é acabar com todos os aplicativos locais", afirmou outra. Muitos questionaram o que acontecerá com a grande quantidade de dados compilados pelo aplicativo. "Espero que existam formas e maneiras de deslogar e apagar tudo", destacou um internauta. 

O aplicativo, lançado no início de 2020, usava dados de três operadoras de telefonia móvel e não foi divulgado se as informações serão armazenadas ou continuarão sendo compiladas. "O aplicativo pode desaparecer, mas os dados permanecem lá", afirmou a analista Kendra Schaefer, especialista da empresa Trivium China, com sede em Pequim.

"O governo ganha mais do que perde ao desativar o aplicativo porque o custo de manutenção de um sistema do tipo deve ser enorme", acrescentou no Twitter. (AFP) 

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