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Com chegada de tanques, Ucrânia acredita em vitória 'inevitável' na guerra

Invasão feita pela Rússia completou um ano nesta sexta-feira (24)

Por Agências
Publicado em 24 de fevereiro de 2023 | 19:47
 
 
 

A vitória da Ucrânia na guerra contra a Rússia será "inevitável" se os países ocidentais, que começaram a entregar tanques pesados, mantiverem a ajuda a Kiev, afirmou nesta sexta-feira (24) o presidente Volodimir Zelensky, no primeiro aniversário da invasão do país.

"Se nossos parceiros cumprirem com suas palavras e respeitarem os prazos, uma vitória inevitável nos espera. Eu realmente quero que seja este ano", declarou Zelensky durante uma coletiva de imprensa em Kiev.

O primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, anunciou na capital ucraniana que quatro tanques pesados alemães Leopard 2 já haviam chegado à Ucrânia e prometeu enviar 60 tanques poloneses PT-91 "muito em breve".

A Suécia afirmou que entregará "aproximadamente" dez tanques Leopard 2 e a Alemanha anunciou o envio de outros quatro, além dos quatorze já previstos para reforçar a resistência ucraniana.

O ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, prometeu uma contraofensiva geral, no momento em que combates violentos são travados no leste do país. "Atacaremos com mais força e de maiores distâncias, por ar, terra, mar e no ciberespaço", afirmou.

Mais sanções

As tropas russas entraram na Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022. Atualmente várias cidades ucranianas estão em ruínas, parte do país vive sob ocupação russa e o balanço de mortos e feridos em cada lado supera 150.000, de acordo com estimativas dos países ocidentais.

A presidente da Comissão Europeia, Ursual von der Leyen, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, "não alcançou sequer um" de seus objetivos em um ano de guerra.

"Ao invés de apagar a Ucrânia do mapa, Putin enfrenta uma nação mais vigorosa que nunca", declarou Von der Leyen de Tallinn, capital da Estônia.

A Rússia apostava em uma vitória rápida, que permitiria manter a Ucrânia dentro de sua esfera de influência. Agora, parece limitar suas ambições ao reconhecimento da anexação de quatro províncias separatistas do leste ucraniano.

Mesmo assim, o ex-presidente e número dois do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou que o país conquistará a "vitória" e está disposto a seguir "até as fronteiras da Polônia".

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira novas sanções contra a Rússia, com medidas contra bancos e a indústria de defesa, para limitar o acesso de Moscou a tecnologias estratégicas, como os semicondutores.

A União Europeia (UE) também aprovou sua décima rodada de sanções, que preveem "restrições contra indivíduos ou entidades que apoiam a guerra, espalham propaganda ou fornecem à Rússia drones usados na guerra".

O G7, grupo de países mais industrializados do mundo, ameaçou com "fortes custos" os países que ajudarem a Rússia a eludir as sanções impostas.

Protestos e homenagens

Em Berlim, manifestantes colocaram os restos de um tanque russo em frente à embaixada de Moscou, como "símbolo da queda da Rússia".

Em Londres, um minuto de silêncio será respeitado diante da embaixada da Rússia e contará com a presença de deputados e diplomatas.

Os ucranianos também homenagearam seus mortos. Uma exposição de fotos em Bucha lembrou do horror vivido por esta cidade localizada na periferia da capital ucraniana.

A exposição foi montada em uma igreja, junto ao local onde foram enterrados em uma vala comum as vítimas da ocupação russa, antes da expulsão dos soldados russos pelas forças ucranianas no fim de março de 2022.

"Permanecemos aqui, com minha mulher, durante um mês, durante a ocupação. Não nos movemos, vimos todos esses horrores", contou o professor aposentado Serguii Zamostian, de 62 anos, na saída da igreja.

- Plano chinês -A Assembleia Geral da ONU aprovou na quinta-feira, por 141 votos a favor, sete contra e 32 abstenções, uma resolução que exige a "retirada imediata, completa e sem condições de todas as forças militares russas" da Ucrânia.

A China, que tenta se posicionar como parte neutra no conflito, ao mesmo tempo que mantém laços estreitos com a Rússia, apresentou na quinta-feira uma proposta de 12 pontos para uma "solução política" para o conflito, na qual faz um apelo por diálogo, alerta que armas nucleares não devem ser usadas e pede que os civis não sejam atacados.

"Me parece que, nesse plano, há respeito por nossa integridade territorial. Precisamos trabalhar com a China nesse ponto", afirmou Zelensky, que mostrou-se disposto a participar de uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping.

A diplomacia russa afirmou "valorizar" os esforços da China, mas insistiu na necessidade de que o controle de Moscou sobre as quatro províncias ucranianas anexadas seja reconhecido.

Um porta-voz da ONU classificou o plano chinês como "uma importante contribuição".

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, expressou ceticismo com o plano. "A China não tem muita credibilidade porque não foi capaz de condenar a invasão ilegal da Ucrânia", lembrou.

A estagnação dessas perspectivas estagnadas de paz deram lugar a outras iniciativas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou sua proposta de criar um grupo de países para estabelecer uma mesa de negociações, proposta que Moscou afirmou estar estudando.

Zelensky, por sua vez, expressou a vontade de se aproximar de países da América Latina e da África, vários dos quais se abstiveram na quinta-feira na votação na Assembleia Geral.

"Medo"

Os ucranianos admitem o cansaço após um ano ao som de sirenes de alerta e com os cortes constantes no abastecimento de energia elétrica e água provocados pelos bombardeios, mas acreditam em um final favorável do conflito.

Oksana, moradora de Kramatorsk (leste), 60 anos, admite que vive "com medo" e espera "a paz". 

Galyna Gamulets, 64 anos e moradora de Bucha, afirmou que tem orgulho de sua nação e que o país terá "sucesso" em expulsar os invasores.

O fundador do grupo paramilitar russo Wagner, Yevgeny Prigozhin, afirmou nesta sexta-feira que suas tropas assumiram o controle da localidade de Berkhiva, ao norte de Bakhmut, sitiada pelas forças russas há meses.

(AFP)
                
 

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