Calor mortal

Com temperaturas até 54°C, sudoeste dos EUA enfrenta onda de calor extremo

No fim de semana passado, as temperaturas sufocantes mataram dez migrantes na fronteira entre México e Estados Unidos, de acordo com a Patrulha Fronteiriça dos EUA

Por Agências
Publicado em 14 de julho de 2023 | 22:03
 
 
 
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Dezenas de milhões de americanos enfrentaram altas temperaturas perigosas nesta sexta-feira (14) devido à forte onda de calor que se estende da Califórnia ao Texas, cujo pico máximo é esperado neste fim de semana.

Durante toda a semana, os estados do sudoeste sofreram os efeitos de um domo de calor que colocou em risco a saúde de idosos, trabalhadores da construção, carteiros, entregadores e pessoas sem-teto. 

No Arizona, um dos estados mais afetados, os moradores encaram diariamente uma maratona de resistência contra o sol.

Phoenix, a capital do estado, registrará nesta sexta seu 15º dia consecutivo de temperaturas acima dos 43°C, segundo o Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos (NWS, na sigla em inglês).

O calor obrigou o cancelamento de shows que aconteceriam à noite, nos fins de semana, na cidade.

Alguns moradores do Arizona publicaram fotos esta semana nas redes sociais de alcatrão - usado no revestimento de seus telhados - derretendo, e vídeos de ovos fritando no asfalto sob um sol escaldante.

As autoridades emitiram alertas durante dias, advertindo as pessoas a evitarem as atividades ao ar livre durante o dia, e que permanecessem atentas aos sinais de desidratação, que rapidamente pode ser fatal nessas temperaturas.

Mortalmente perigoso

O serviço meteorológico de Las Vegas advertiu que assumir que as altas temperaturas estariam naturalmente associadas ao clima de áreas desérticas era uma "ideia PERIGOSA! Esta onda de calor NÃO é o típico calor do deserto devido à sua duração, temperaturas extremas durante o dia, e noites de muito calor".

"O período mais intenso está começando agora", acrescentou, com um fim de semana que se aproxima com previsões de temperaturas recorde no domingo.

Os termômetros no Vale da Morte na Califórnia, um dos lugares mais quentes da Terra, também podem alcançar novos picos no domingo, chegando a 54°C.

Esta semana, diversos incêndios florestais eclodiram no sul do estado.

Ao contrário das inundações e dos incêndios florestais, as ondas de calor são invisíveis, mas continuam sendo o fenômeno climático mais letal nos Estados Unidos, e que geralmente é subestimado.

No fim de semana passado, as temperaturas sufocantes mataram dez migrantes na fronteira entre México e Estados Unidos, de acordo com a Patrulha Fronteiriça dos EUA.

Além disso, na semana passada, o candado de Maricopa, o mais populoso do estado, divulgou um relatório que contabilizou 425 mortes por calor no verão boreal de 2022, um número até 25% maior que o do ano anterior.

No Texas, a cidade de El Paso está acumulando recordes: na quinta, registrou o 27º dia com temperaturas acima dos 37,7°C. 

Mudança climática

Diante da onda de calor, a Casa Branca anunciou uma "estratégia nacional". "Milhões de americanos estão sendo afetados pelas ondas extremas de calor, que crescem em intensidade, frequência e duração devido às mudanças climáticas", disse o presidente Joe Biden em uma declaração.

Apesar de ser difícil atribuir um evento específico às mudanças climáticas, cientistas insistem em que o aquecimento global - relacionado com a dependência humana de combustíveis fósseis - é responsável pela multiplicação e aumento de intensidade das ondas de calor no mundo.

A atual onda de calor nos Estados Unidos acontece depois que o serviço de monitoramento climático da União Europeia apontou que o mundo registrou este ano o mês de junho mais quente da história. (AFP)

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