Argentina

Confira as principais propostas feitas por Milei durante a campanha

Presidente eleito quer sair do Mercosul, dolarizar economia e acabar com ministérios; confira o que ele disse durante a campanha

Por O TEMPO
Publicado em 19 de novembro de 2023 | 21:56
 
 
 

O libertário Javier Milei foi eleito o novo presidente da Argentina com uma vantagem histórica sobre o rival, o peronista Sergio Massa. O candidato governista e ministro da economia reconheceu a derrota antes mesmo do fim da apuração e da divulgação dos votos. "Quero dizer que obviamente os resultados não são os que esperávamos e tenho me comunicado com Javier Milei para felicitá-lo, porque é o presidente e é quem vai liderar a Argentina nos próximos quatro anos", disse o candidato.

Os primeiros resultados oficiais, com 90% das urnas apuradas, Javier Milei teve 55,95% dos votos, e Massa teve 44,04% - a maior vantagem de um candidato a presidente nas eleições recentes na Argentina. Ele foi eleito com propostas polêmicas e radicais. (Com Folhapress e Agência Estado)

Confira as principais propostas e ideias do presidente eleito da Argentina

  • AFASTAR-SE DO BRASIL: Nos últimos meses, disse também que não queria relações comerciais com o Brasil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No dia 8 deste mês de novembro, Milei chamou Lula de “comunista” e “corrupto” e disse que não se reuniria com o brasileiro, caso fosse eleito. No entanto, na última quinta-feira (16), Guillermo Francos, maior articulador da campanha de Milei, afirmou que uma eventual vitória do candidato da direita não afetará a relação com o Brasil. Segundo ele, a ligação dos países está “acima de posições pessoais”.
  • SAIR DO MERCOSUL: Milei também defende o rompimento com o Mercosul.
  • DOLARIZAR E ABRIR A ECONOMIA: Milei disse que a primeira medida, se eleito fosse, seria a retirada das restrições à compra e à venda de dólares vigentes desde o fim do governo de Mauricio Macri, em 2019. Sua principal bandeira é dolarizar a economia, por meio de um sistema de livre concorrência entre as moedas, e então eliminar o Banco Central. Especialistas advertem que isso seria muito difícil num país que não tem reserva de dólares. Sem muitos detalhes, o economista propõe em seu plano de governo uma lista de medidas que incluem fazer uma "abertura comercial unilateral" ao mundo, com foco em investimentos nas áreas de mineração, hidrocarbonetos e energias renováveis, e reduzir 90% dos impostos, o que segundo ele equivaleria a 2% do PIB (Produto Interno Bruto). Já o corte dos gastos públicos teriam um impacto de 15% do PIB.
  • SEM SUBSÍDIOS PARA EMPRESAS: Ele sugere ainda retirar os subsídios às empresas de luz e energia, por exemplo, para depois aumentar as tarifas cobradas da população.
  • FLEXIBILIZAR RELAÇÕES TRABALHISTAS: Na área trabalhista, propõe uma reforma que flexibilizaria os contratos, reduziria as contribuições patronais e os impostos sobre o trabalhador e limitaria o poder dos sindicatos.
  • ENXUGAR O ESTADO E PRIVATIZAR: Milei disse durante a campanha querer enxugar ao máximo a máquina pública, reduzindo os atuais 18 ministérios para oito. Os destaques são a criação da pasta do Capital Humano, que agruparia Saúde, Educação e Desenvolvimento Social, e a extinção de ministérios como Cultura; Ciência e Tecnologia; e Mulheres, Gênero e Diversidade. Além disso, ele afirma que quer acabar com secretarias e direções dentro desses órgãos, realocando empregados que não são de carreira "onde eles forem necessários", e privatizar todas as empresas públicas, sem diferenciar as que são saudáveis ou não. O plano incluiria a petroleira YFP, a companhia aérea Líneas Argentinas e a TV Telám. As obras públicas seriam substituídas por obras privadas.
  • ELIMINAR EDUCAÇÃO E SAÚDE PÚBLICAS: A longo prazo, a ideia de Milei é acabar com os sistemas de saúde e educação públicos e migrar para modelos privados, aspirando eliminar qualquer assistência social direta. Ao apresentar seu plano, porém, ressaltou que "até que o modelo econômico da liberdade seja adotado, permitindo a criação de riqueza, emprego e bem-estar, a eliminação da assistência social seria um crime". Sua proposta, então, é começar por um sistema de vouchers, como no Chile, tirando a obrigatoriedade de estudar e implementando uma lógica de mercado na educação: "Obrigar é controlar os seres humanos e impor seu padrão moral. Quem quer estudar, estuda, mas não gosto de obrigar", disse recentemente. O Estado daria um cartão a famílias e estudantes, que escolheriam onde estudar, em escolas privadas ou públicas. O candidato não explica como conciliar essa política com os planos de cortar gastos e impostos.
  • DESREGULAR COMPRA DE ARMAS E SEGURANÇA: A segurança nacional é a área em que Milei tem mais propostas: 47. Ele propõe desregulamentar o mercado legal de armas de fogo, proibir a entrada de estrangeiros com antecedentes criminais e deportar os que cometerem delitos. Sobre reduzir a maioridade penal, diz que vai "estudar a possibilidade". No sistema prisional, promete construir prisões público-privadas, militarizar as que já existem para reestruturá-las durante esse período de transição e eliminar auxílios a detentos. Fala ainda em capacitar, equipar e "despolitizar" as forças de segurança e modificar leis de defesa nacional e inteligência. Já disse que vai "meter presos os piqueteros", referindo-se a manifestantes que costumam fechar ruas. 
  • ABORTO: Milei disse que é contra o aborto e deve tentar alterar legislação local, que regulamenta a prática

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