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Eleições no Paraguai: país cresce economicamente, mas corrupção ainda é desafio

País vive momento de crescimento econômico acima da média, mas problemas como forte ação do crime organizado e elevada taxa de pobreza ainda são problemas a serem enfrentados

Por Agências
Publicado em 29 de abril de 2023 | 12:38
 
 
 

O Paraguai, que realiza eleições presidenciais e legislativas neste domingo (30 de abril), é um país no coração da América do Sul elogiado por sua estabilidade econômica, mas atormentado pela corrupção e pelo crime organizado. 

Esta nação de 406.752 km2, sem litoral, mas rica em rios, foi governada pelo conservador Partido Colorado durante a maior parte das últimas sete décadas. 

Seguem alguns fatos importantes sobre este país de 7,5 milhões de pessoas, de maioria católica.

Corrupção e drogas

Localizado entre Bolívia, Argentina e Brasil, o Paraguai tem uma fronteira porosa, atraente para os narcotraficantes. 

A maconha (que também produz) e a cocaína (principalmente de outros lugares) transitam pelo Paraguai até o Brasil, de onde são enviadas para a Europa. 

O promotor Marcelo Pecci e o prefeito conhecido por sua luta contra a corrupção, José Carlos Acevedo, foram assassinados em 2022 em crimes atribuídos ao narcotráfico. 

O Paraguai ocupa a 137ª posição entre 180 países no ranking de corrupção da organização Transparência Internacional.

Legado guarani

Com uma população majoritariamente mestiça, o Paraguai tem um forte legado da cultura indígena Guarani. 

A Constituição de 1992 estabeleceu duas línguas oficiais: o espanhol e o guarani, faladas por 87% da população e obrigatórias nas escolas. 

O tererê, infusão de ervas que se toma gelada e é considerada a bebida nacional, também é patrimônio do povo guarani.

Domínio colorado 

O Partido Colorado domina a vida política do Paraguai quase ininterruptamente desde 1947. Sob sua égide, o ditador Alfredo Stroessner (1954-1989) governou por 35 anos, cujo regime causou entre 1.000 e 3.000 mortes ou desaparecimentos. 

O único presidente de fora do Partido Colorado foi o esquerdista Fernando Lugo, que chegou ao poder em 2008. Lugo foi deposto em 2012, após um processo de impeachment denunciado como golpe por Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela.

Em 2013, o empresário do tabaco Horacio Cartes, um dos homens mais ricos do Paraguai, devolveu o Partido Colorado ao poder. Presidente até 2018, foi sancionado pelos Estados Unidos como "significativamente corrupto" em 2022 junto com o atual vice-presidente, Hugo Velázquez. 

Para as eleições de domingo, a Concertación Nacional, uma coalizão de partidos de centro e esquerda, espera quebrar a hegemonia do Partido Colorado. Efraín Alegre, um advogado de 60 anos e duas vezes candidato à Presidência, está empatado nas pesquisas com o colorado Santiago Peña, um economista de 44 anos.

Eletricidade, hidrovia e soja

O Paraguai é um grande exportador de soja, carne bovina e energia hidrelétrica. 

Possui grandes hidrelétricas no rio Paraná, entre elas a Itaipu, em condomínio com o Brasil, a segunda maior do mundo em produção depois da chinesa Três Gargantas.

Também possui a hidrovia Paraguai-Paraná, cerca de 3.000 km desde sua nascente no Brasil até sua foz no Río de la Plata. 

Com mais de 3.000 embarcações, o Paraguai possui a terceira maior frota de água doce do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos. 

O Paraguai, que tem uma carga tributária baixa de não mais que 10%, é um dos poucos países da região onde o investimento estrangeiro direto aumentou durante a pandemia de covid-19. 

O FMI prevê que a economia paraguaia crescerá 4,5% em 2023, bem acima da média latino-americana (1,6%). Mas a pobreza atinge 24,7% da população. (AFP)

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