governo relâmpago no reino unido

Entenda os motivos que fizeram Liz Truss renunciar ao cargo de primeira-ministra

Premiê estava sendo rejeitada pela opinião pública e questionada dentro de seu próprio partido

Por Agência
Publicado em 20 de outubro de 2022 | 10:40
 
 
 

A primeira-ministra britânica Liz Truss, que renunciou ao cargo nesta quinta-feira (20) depois de apenas seis semanas no posto, enfrentava forte pressão político-econômica desde o fim de setembro. Rejeitada pela opinião pública e questionada dentro de seu próprio partido, a líder conservadora de 47 anos viu sua popularidade despencar em parte devido ao abandono de seu pacote de medidas econômicas, que incluía cortes maciços de impostos e apoio colossal ao pagamento das contas de energia, duas questões que levantaram temores de um colapso nas contas públicas. 

Truss sofreu um novo revés com a renúncia de sua ministra do Interior, Suella Bravermam, após uma agitada sessão no Parlamento. A ministra do Interior alegou como motivo da sua demissão ter usado a sua conta de e-mail pessoal para enviar um documento oficial a um colega, mas os meios de comunicação britânicos apontam principalmente para as diferenças entre as duas mulheres em relação à política de imigração.  A renúncia de Braverman acontece poucos dias após a demissão do então ministro das Finanças Kwasi Kwarteng, em 14 de outubro.

"Fingir que não cometemos erros, agir como se ninguém pudesse ver que nós cometemos esses erros e esperar que as coisas fiquem bem por arte da magia não é uma política séria", escreveu. Grant Shapps, ex-ministro do Transporte com Boris Johnson e apoiador de Rishi Sunak, o outro candidato a liderar os conservadores que perdeu para Truss, foi indicado horas depois como substituto de Braverman.  

 'Assédio' 

Como se fosse pouco, uma nova controvérsia veio à tona na noite dessa quarta-feira, em torno de uma votação relativa ao polêmico fim da moratória sobre o 'fracking' (fraturamento hidráulico), uma técnica de extração do gás de xisto. O deputado trabalhista Chris Bryant pediu a abertura de uma investigação, explicando que havia presenciado cenas de votação forçada dentro da maioria parlamentar e de "assédio". 

Diante dos rumores de que o líder e o vice-líder, encarregados de velar pela disciplina do partido, teriam renunciado em protesto pela mudança brusca de tática do governo na votação, que no fim foi vencida por Truss, Downing Street publicou um comunicado desmentindo essas renúncias.

Início da crise 

Mesmo com alto nível de rejeição, Liz Truss havia declarado nessa quarta-feira (10) , em comparecimento no Parlamento britânico, que pretendia se manter no cargo."Sou uma batalhadora, e não alguém que desiste" e "estou disposta a tomar decisões difíceis", insistiu, apesar do abandono humilhante de quase todas as medidas que faziam parte de seu plano econômico.  

A crise começou no final de setembro, quando seu então ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, apresentou um pacote de medidas econômicas com cortes significativos de impostos e um colossal auxílio para as contas de energia - duas questões que suscitaram temores de um descontrole dos gastos públicos.

A libra caiu a seu nível histórico mais baixo, os rendimentos dos títulos do Estado a longo prazo dispararam e o Banco da Inglaterra precisou intervir para impedir que a situação não degenerasse em uma crise financeira. (AFP)

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