'ovelha negra'

Entenda por que Hunter, filho de Joe Biden, está sendo investigado

Os problemas pessoais e legais de Hunter o tornam um alvo dos republicanos, adversários políticos de seu pai

Por Agências
Publicado em 11 de agosto de 2023 | 20:08
 
 
 
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Negócios obscuros, drogas e mulheres. Hunter Biden, 53, tem levado uma vida turbulenta sob a sombra dupla de seu pai, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a de seu irmão mais velho, Beau, que morreu de câncer em 2015.

Os esforços de Hunter para deixar o passado difícil para trás sofreram um revés nesta sexta-feira (11), quando o secretário de Justiça americano, Merrick Garland, nomeou um procurador especial para investigá-lo.

Os problemas pessoais e legais de Hunter o tornam um alvo dos republicanos, adversários políticos de seu pai, principalmente agora, que o presidente se prepara para disputar a reeleição em 2024.

Os republicanos no Congresso lançaram várias investigações sobre os negócios de Hunter Biden com a China e Ucrânia quando seu pai era vice-presidente de Barack Obama (2009-2017).

Hunter Biden fechou um acordo de culpabilidade com o Departamento de Justiça para evitar ser preso por acusações de sonegação de impostos e posse ilegal de arma de fogo, mas o acordo fracassou devido à oposição de uma juíza. Nesta sexta-feira, Merrick Garland promoveu a pessoa que investigava os casos a procurador especial.

Alguns veem Hunter como ovelha negra da família, mas seu pai nunca lhe deu as costas. "Confio nele", disse Joe Biden recentemente, quando os congressistas republicanos abriram uma nova investigação.

Álcool e crack

Hunter graduou-se na Faculdade de Direito de Yale e alternou entre trabalhos no governo, no setor financeiro e em grupos de lobby antes de abrir sua própria consultoria de negócios internacionais no fim da década de 2000. Mas sua vida foi manchada por problemas com alcoolismo e a dependência em crack, intercalados com períodos de reabilitação.

Hunter associa seus vícios ao acidente automobilístico em que morreram sua mãe e irmã, em 1972, quando ele tinha 3 anos, no qual sofreu traumatismo craniano. Mas ele também viveu à sombra de Beau, que teve uma excelente carreira militar e se dedicou à política, com seu pai projetando que ele poderia se tornar presidente algum dia, antes de morrer em decorrência de um câncer no cérebro, em 2015.

Depois disso, em quase todas as oportunidades Joe falava sobre a perda do filho, gerando empatia em outras pessoas que passaram pelo mesmo trauma. Enquanto isso, Hunter raramente era mencionado.

Em suas memórias, Hunter escreveu que, depois da morte de Beau, seu consumo de drogas aumentou, chegando ao fundo do poço quando seu pai deixou a vice-presidência, em 2017. Seu casamento veio abaixo e ele perdeu a guarda de suas três filhas.

Hunter teve um caso com a viúva de Beau e um filho no Arkansas com outra mulher, que o processou. Posteriormente, viu os adversários de seu pai tornarem públicos os arquivos, e-mails e fotos de seu laptop.

Hunter também foi investigado pelo Departamento de Justiça pelos milhões de dólares que ganhou com investimentos no exterior. Mas Joe Biden sempre o apoiou publicamente, como o fez durante um debate acalorado com Trump antes das eleições presidenciais de 2020: "Meu filho, assim como muita gente, tinha um problema com as drogas. Ele superou, deu um jeito, trabalhou nisso. E estou orgulhoso dele. Tenho orgulho do meu filho."

'Nunca me julgou'

Em seu livro de memórias "Beautiful Things" (2020), Hunter conta os dias em que passava bebendo vodca no gargalo, vagando durante a noite por bairros perigosos em busca de crack e muitas tentativas fracassadas de se desintoxicar. Diz que, em 2019, conseguiu se recompor após uma intervenção de seu pai e de sua segunda mulher, Melissa.

A única coisa que o ajudou, escreveu, foi o amor incondicional de seu pai. "Ele nunca me abandonou, nunca me rejeitou, nunca me julgou, não importa quão ruins as coisas tenham ficado".

Hunter afirma hoje que deixou tudo isso para trás. Teve um filho com Melissa, que batizou de Beau. Dedicou-se à pintura, embora isso tenha causado uma nova polêmica quando colecionadores anônimos compraram suas obras por centenas de milhares de dólares.

(AFP)
 

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