Política

Erdogan sai na frente em apuração na Turquia e caminha para ser reeleito

Pesquisas indicam disputa apertada entre governo e oposição também no parlamento

Por Agências
Publicado em 14 de maio de 2023 | 15:55
 
 
 
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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, 69, aparece em primeiro lugar na disputa pela reeleição, indicam resultados parciais do primeiro turno realizado neste domingo (14). Se confirmados os números, Erdogan, no poder desde 2003, continuará no comando do país por mais cinco anos.

Com 64% das urnas apuradas, o atual presidente contabiliza 51,4% dos votos, enquanto seu principal adversário, Kemal Kilicdaroglu, 74, aparece com 42,77%, segundo dados da agência de notícias estatal Anadolu. Se ao final da apuração nenhum dos dois candidatos tiver mais de 50%, a disputa vai para o segundo turno, previsto para 28 de maio.

Em terceiro lugar, Sinan Ogan, nacionalista de ultradireita, tinha 5,3%. Mesmo tendo anunciado a desistência a três dias da votação, Muharrem Ínce aparece com 0,5% dos votos, uma vez que seu nome não pôde ser removido da cédula.

No Twitter, Kilicdaroglu, que lidera uma coligação de seis legendas, disse que estava à frente na apuração. Aliados da oposição acusam a Anadolu de divulgar números parciais que são favoráveis ao presidente.

Segundo especialistas, um novo mandato pode consolidar a guinada autocrática e autoritária de Erdogan, intensificada depois de uma tentativa de golpe frustrada, em 2016, orquestrada por parte das Forças Armadas.

Em duas décadas, Erdogan concentrou poderes como presidente, eliminou a figura do primeiro-ministro, enfraqueceu a independência do Judiciário e do banco central, prendeu opositores e controlou a mídia por meio de intimidação e aliados no comando.

Embora tenha tido sua popularidade desgastada pela crise econômica, com hiperinflação e desvalorização da moeda, Erdogan, que distanciou o país dos princípios laicos sobre os quais a Turquia moderna foi fundada há um século, beneficia-se do apoio dos segmentos mais conservadores do eleitorado. Também superou as críticas que envolveram as causas e as respostas ao terremoto que matou mais de 50 mil pessoas na Turquia em fevereiro.

Longas filas foram registradas em diversos pontos de votação, que aconteceu sem incidentes. A afluência às urnas foi de 88,49%, diante de cerca de 85% há cinco anos. O eleitorado apto a votar é de 64 milhões de pessoas, sendo 3,4 milhões registrados no exterior. A população total residente no país é de 85 milhões.

Os dois candidatos votaram pouco antes das 12h (horário local). "Rezamos por um futuro melhor para nosso país, nação e democracia turca", disse Erdogan, que votou em Istambul e, em seguida, se dirigiu para Ancara, onde acompanhou a apuração.

Já Kilicdaroglu votou na capital. "Ofereço meu mais sincero amor e respeito a todos os meus cidadãos que estão indo às urnas. Todos nós sentimos muita falta da democracia", disse.

Neste domingo, os turcos também votaram para preencher as 600 vagas do Parlamento. Pesquisas indicavam uma disputa igualmente apertada entre a coligação de Erdogan e a oposição.

Foi uma campanha marcada pela tensão na reta final, com agressões físicas e acusações de conteúdo mentiroso. Kilicdaroglu acusou a Rússia de Vladimir Putin, próximo de Erdogan, de tentar interferir nos resultados.

No fim de semana, o Twitter afirmou que, em resposta a um processo legal e seguindo sua política interna, havia restringido o acesso a alguns conteúdos na Turquia, para não ser suspenso totalmente. Não foi informado quais seriam essas publicações.

Considerada uma das eleições mais importantes do ano, a disputa na Turquia vem sendo acompanhada com olhos atentos pelos países vizinhos do Oriente Médio e da Europa, pelos aliados da Otan e da Rússia. Além das implicações internas, o pleito pode ter repercussões no contexto geopolítico. Um dos legados de Erdogan é ter transformado a Turquia em um protagonista regional e ator relevante global, tirando proveito da posição estratégica no mapa.

No contexto da Guerra da Ucrânia, Erdogan tenta se equilibrar como membro da Otan, liderada pelos EUA, e, ao mesmo tempo, como parceiro econômico de Putin, com quem compartilha o discurso ultraconservador pró-família tradicional e anti-LGBTQIA+. A Turquia não aderiu às sanções ocidentais impostas à Rússia após a invasão.

No ano passado, mediou, graças ao relacionamento pessoal entre Erdogan e o presidente russo, a exportação de grãos da Ucrânia, evitando o agravamento de uma crise alimentar global. As negociações com Moscou para liberar a safra deste ano estão em andamento.

Ex-prefeito de Istambul (1994-1998), Erdogan foi escolhido primeiro-ministro em 2003, após seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) conquistar a maioria dos votos, o que se repetiu em 2007 e 2011. Em 2014, quando a eleição presidencial passou a ser por voto direto, depois de uma reforma eleitoral, Erdogan venceu no primeiro turno com quase 52% dos votos. Quatro anos mais tarde e nova mudança nas regras, que acabou com a figura do primeiro-ministro, repetiu o feito, com quase 53%.

Nos primeiros dez anos, privilegiou medidas que beneficiaram os mais pobres e os trabalhadores, com melhorias na saúde, na educação e em infraestrutura. O PIB per capita quase triplicou entre 2003 e 2013.

(MICHELE OLIVEIRA | FOLHAPRESS)

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