Guerra

Hamas afirma que bebês prematuros morreram em ataque a hospital em Gaza

Terroristas são acusados de utilizar instituições hospitalares como escudo contra as forças israelenses

Por Agências
Publicado em 12 de novembro de 2023 | 17:58
 
 
 

O Hamas afirma que 5 bebês prematuros e 7 pacientes morreram em hospital de Gaza. As tropas israelenses travavam, neste domingo (12/11), duros enfrentamentos contra os combatentes do Hamas perto do maior hospital de Gaza, onde milhares de civis estão presos e os feridos carecem dos cuidados necessários pela falta de mantimentos, o que obrigou outro centro hospitalar a fechar.

O hospital Al Shifa na Cidade de Gaza está no meio da ofensiva terrestre israelense contra o movimento islamista. O edifício foi alvo de disparos e ataques, um dos quais destruiu, segundo o Hamas, o departamento de cardiologia.

O Exército israelense nega que os hospitais estejam entre seus alvos e acusa o Hamas de utilizá-los como centros de comando ou esconderijos, algo que o grupo islamista nega.

A União Europeia (UE) "condena o uso de hospitais e civis como escudos humanos pelo Hamas" e urge Israel a usar a "contenção máxima" para proteger os civis, declarou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, em um comunicado.

Israel prometeu "aniquilar" o Hamas, depois do sangrento ataque cometido em 7 de outubro pelo movimento islamista em seu território, que deixou em torno de 1.200 mortos, a maioria civis, segundo as autoridades. Cerca de 240 pessoas foram sequestradas e levadas para Gaza, segundo a mesma fonte.

Desde então, Israel bombardeia o pequeno território palestino e, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, mais de 11.000 pessoas morreram até agora nos ataques, também civis em sua maioria e muitas crianças.

Além disso, Israel mantém o território sob "cerco total", o que impede o abastecimento de água, comida e combustível. A falta de combustível deixou fora de serviço outro hospital na Cidade de Gaza, o de Al Quds, segundo o Crescente Vermelho palestino.

"O hospital teve que se valer por si só sob os bombardeios contínuos de Israel, o que representa grandes riscos para o pessoal médico, os pacientes e os civis deslocados", denunciou a organização.

Possível acordo para recuperação de reféns

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, assegurou que estava avaliando um possível acordo para a libertação dos reféns mantidos em Gaza.

"Quanto menos eu me manifesto sobre o assunto, mais aumento as chances de isso se concretizar", disse o premiê durante entrevista à emissora americana "NBC".

Ninguém pode 'entrar ou sair' de Al Shifa

Segundo o Escritório de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA, na sigla em inglês), 20 dos 36 hospitais de Gaza estão "fora de serviço" diante da falta de mantimentos. Testemunhas no interior do hospital Al Shifa declararam à reportagem que ocorreram "violentos combates" perto do hospital durante toda a noite.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) indicou que dois bebês prematuros morreram porque suas incubadoras deixaram de funcionar diante da falta de eletricidade. Os médicos do hospital também informaram a morte de um homem depois que seu auxílio mecânico à respiração deixou de funcionar. 

O porta-voz do Exército israelense, Daniel Hagari, prometeu ajuda para remover os bebês para "um hospital mais seguro". O Exército indicou que uma "passagem segura" seria aberta para permitir a evacuação dos civis de Al Shifa rumo ao sul.

O responsável pelos hospitais na Faixa de Gaza alertou que a situação em Al Shifa era "catastrófica" e enfatizou que ninguém podia "entrar ou sair dali". Também advertiu que havia pacientes "sem atendimento médico" nas ruas da Faixa devido às "evacuações forçadas" de dois hospitais pediátricos.

"Os tanques [israelenses] estão assediando completamente o hospital Al Shifa", garantiu à AFP o vice-ministro de Saúde do governo do Hamas, Yusef Abu Rich, que indicou um novo bombardeio contra o departamento de cirurgia e cirurgia ambulatória.

A ajuda humanitária quase não chegou a este território de 362 km², onde vivem 2,4 milhões de pessoas. Israel afirma que manterá o bloqueio até que os reféns sejam libertados. 

Enquanto os combates continuam, cerca de 800 pessoas com passaporte estrangeiro ou dupla nacionalidade foram evacuados neste domingo de Gaza para o Egito, segundo um funcionário de segurança egípcio. 

A emissora AlQahera News, próxima do serviço de inteligência egípcio, indicou que "sete palestinos feridos" também atravessaram a passagem de Rafah, a única que não é controlada por Israel e que permaneceu fechada na sexta e no sábado. 

Êxodo para o sul

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, 32 brasileiros e familiares estão no grupo que deixou Gaza rumo ao Egito neste domingo e devem desembarcar em Brasília na noite de segunda-feira.

"Grupo de 32 brasileiros e familiares já se encontra em território egípcio, onde foi recebido por equipe da embaixada do Brasil no Cairo, responsável pela etapa final da operação de repatriação", escreveu o Itamaraty em seu perfil na rede social X, o antigo Twitter.

Cerca de 1,6 milhão de palestinos foram forçados a abandonar suas residências desde o início da guerra, segundo a ONU. Os novos deslocados que fogem dos combates no norte da Faixa já não encontram lugares onde se refugiar e alguns se veem obrigados a dormir nas ruas, constatou a reportagem.

Uma dúzia de casas foi destruída em outro ataque em Bani Suheila, deixando pelo menos quatro mortos e 30 feridos. A guerra gerou comoção em todo o mundo pelos israelenses mortos e sequestrados, bem como marchas pró-palestinos para denunciar a situação em Gaza e pedir um cessar-fogo.

Por outro lado, a comunidade internacional teme que o conflito se espalhe para outros países da região. Aviões israelenses atacaram neste domingo "infraestruturas terroristas" na Síria, após disparos vindos deste território contra a região das Colinas de Golã. No norte, na fronteira com o Líbano, também acontecem trocas de disparos diárias com o movimento islamista Hezbollah, aliado do Hamas.

Diversos civis ficaram feridos em Israel por um míssil antitanque que caiu perto da localidade de Dovev, a 800 metros da fronteira com o Líbano. Ninguém reivindicou o ataque de imediato.

(AFP)

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