Oriente Médio

Irã sentencia segundo manifestante à morte em meio a onda de protestos

Centenas de manifestantes foram presos nos últimos dois meses, desde que movimentos foram deflagrados pela morte de Mahsa Amini

Por O Tempo
Publicado em 16 de novembro de 2022 | 09:08
 
 
 

A Justiça iraniana proferiu, na terça-feira (15), uma segunda sentença de morte para um "agitador", informou o site "Mizan Online", da Autoridade Judicial. O Irã vive uma onda de protestos desde a morte, há dois meses, de Mahsa Amini, uma curda de 22 anos detida por violar o rígido código de vestimenta que exige que as mulheres usem o véu islâmico em público. As autoridades têm reprimido os protestos e centenas de pessoas foram detidas.

Um tribunal de Teerã já havia condenado à morte, no último domingo, uma pessoa considerada culpada de "incendiar um prédio do governo, perturbar a ordem pública, reunir e conspirar para cometer um crime contra a segurança nacional, ser inimiga de Deus e propagar a corrupção na Terra".

Outras cinco pessoas também foram condenadas a penas entre cinco e dez anos de prisão por "reunir-se e conspirar para cometer crimes contra a segurança nacional e perturbar a ordem pública". No mesmo julgamento, um tribunal condenou outra pessoa à morte sob a acusação de "aterrorizar pessoas na rua usando uma faca, incendiar a motocicleta de um cidadão e atacar um indivíduo com uma faca", informou Mizan Online. Por se tratar de um tribunal de primeira instância, os condenados podem apelar, segundo a agência.

Desde o início dos protestos, há dois meses, mais de 2.000 pessoas foram indiciadas, metade delas em Teerã, segundo dados da Justiça. A agência oficial "Irna" indicou que dois guardas revolucionários e um paramilitar foram mortos na terça-feira durante as manifestações.

Citando uma fonte militar, a "Irna" informou que Reza Almassi, um coronel da Guarda Revolucionária, foi morto "por balas disparadas por um agitador" em Bukhan, uma cidade de maioria curda na província do Azerbaijão Ocidental (noroeste). Segundo a mesma fonte, outro membro da Guarda Revolucionária, Reza Azarbar, foi morto baleado por desconhecidos em Kamyaran, localidade do Curdistão (noroeste). 

Em Shiraz (sul), um membro da Bassidj, uma milícia paramilitar ligada à Guarda Revolucionária, foi morto "durante os distúrbios" na noite de terça-feira, segundo a Irna.  A agência também relatou a morte de um estudante devido a ferimentos na cabeça durante uma manifestação. Este aluno, de uma escola religiosa da Bassidji em Shiraz, foi "alvo de um coquetel mololov lançado por manifestantes e depois levado para o hospital", segundo a Irna, que cita o promotor da província de Fars, Mustafa Bahreïni. 

Desde que os protestos começaram em meados de setembro, a mídia estatal iraniana informou que mais de 30 membros das forças de segurança foram mortos em incidentes "relacionados a tumultos". Além disso, pelo menos seis membros da Guarda Revolucionária morreram em episódios de violência na cidade de Zahedan, capital da província de Sistão-Baluchistão (sudeste) em 30 de setembro.

(AFP)

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!