País em luto

Irã vive um mês de revolta pela morte de Mahsa Amini

De acordo com ONG, ao menos 108 pessoas morreram na repressão às manifestações deflagradas após a morte da jovem

Por Agências
Publicado em 16 de outubro de 2022 | 18:25
 
 
 

Foi no dia 16 de setembro que Mahsa Amini, de 22 anos, morreu, após ser presa pela polícia moral de Teerã. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 108 pessoas morreram na repressão às manifestações deflagradas após a morte da jovem. Relembre, a seguir, os acontecimentos, agora que está fazendo um mês.

Em coma

Em 15 de setembro, defensores dos direitos humanos informam que uma iraniana de 22 anos está em coma, após ter sido detida pela polícia de moralidade, em Teerã, dois dias antes (13), acusada de infringir o rígido código de vestimenta para mulheres na República Islâmica.  Segundo a polícia, a jovem teve "um problema cardíaco". 

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, ordena a abertura de uma investigação sobre o caso. Amini morre em 16 de setembro no hospital. Vários ativistas garantem que ela recebeu um golpe fatal na cabeça. A polícia insiste, por sua vez, em que "não houve contato físico" com a jovem. A televisão estatal divulga trechos de um vídeo filmado em uma delegacia que apoia essa versão.

Manifestações

Amini foi enterrada no dia 17, em sua cidade natal de Saqqez, na província do Curdistão (oeste). As forças de segurança usam gás lacrimogêneo para dispersar uma manifestação. Muitas personalidades expressam sua indignação nas redes sociais. Nos dias seguintes, ocorrem outras concentrações, também em Teerã e em Mashhad. 

'Transferida tarde para o hospital'

O pai da vítima declara, no dia 19, que o vídeo da polícia foi "cortado" e denuncia que sua filha foi "transferida tarde para o hospital".  No dia 20, um parlamentar iraniano, em declarações pouco usuais, critica "a polícia da moralidade" e considera que "não consegue nenhum resultado, salvo prejudicar o país". 

Instagram e WhatsApp bloqueados

À noite, protestos acontecem em várias cidades. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram mulheres queimando seus véus. No dia 22, as autoridades bloqueiam o acesso ao Instagram e ao WhatsApp, os dois aplicativos mais usados no Irã. Estados Unidos, Canadá e Reino Unido anunciam sanções econômicas contra a polícia da moralidade e contra várias autoridades de segurança. 

Contramanifestações

A pedido das autoridades, milhares de pessoas saem às ruas no dia 23 para defender o uso do véu. No dia 25, o presidente Raisi pede às forças de segurança que ajam "com firmeza" contra os manifestantes. O chefe do Judiciário ameaça não mostrar "qualquer clemência". 

No dia 26, as autoridades informaram que prenderam mais de 1.200 pessoas, classificadas como "agitadores", entre ativistas, advogados e jornalistas, segundo ONGs. A ONU insta o Teerã a adotar uma postura de "máxima moderação". 

No dia 28, a família de Mahsa Amini entra com um processo contra os "autores de sua prisão". 

Khamenei acusa os EUA

Em 2 de outubro, violentos confrontos explodem em Teerã entre estudantes e forças de segurança da Universidade de Tecnologia de Sharif, a mais importante do país. Uma semana depois, várias estudantes de ensino médio se manifestam, tirando o véu e gritando palavras de ordem contra o regime. O guia supremo, Ali Khamenei, acusa EUA, Israel e seus "agentes" de fomentarem os protestos. 

Causa da morte: doença

A morte de Amini se deve a uma doença cerebral, e não a um golpe, afirma um relatório médico publicado no dia 7 pela República Islâmica. No dia 8, um grupo que apoia os protestos consegue "hackear" um canal de televisão estatal e mostra uma mensagem contra Khamenei. 

Greves

No dia 10, a mobilização chega ao setor petroleiro, com greves e concentrações nas unidades petroquímicas de Asaluyeh (sudoeste), Abadan (oeste) e Bushehr (sul), segundo o IHR.  No dia 12, advogados se unem aos protestos em Teerã, sob o lema dos manifestantes: "Mulher, vida, liberdade". Os 27 países-membros da União Europeia concordam em aplicar sanções às autoridades iranianas envolvidas na repressão. 

Incêndio e brigas em uma prisão

No dia 16, ao fim de um novo dia de mobilizações, um incêndio e vários confrontos eclodem na prisão de Evin, em Teerã, com um balanço oficial de quatro detentos mortos, e mais de 60, feridos. Muitos presos políticos e estrangeiros estão detidos nesta prisão, temida no Irã. (AFP)

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