Golpe

Junta militar do Mianmar condena 7 estudantes à morte; total chega a 139

O país está em crise desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021

Por Agências
Publicado em 03 de dezembro de 2022 | 09:47
 
 
 

A junta militar de Mianmar anunciou durante a semana pelo menos sete novas condenações à pena de morte, o que eleva a 139 o número de pessoas que aguardam a execução neste país conturbado do sudeste da Ásia, informou a ONU. Os réus são estudantes universitários, todos homens, condenados por um tribunal militar em um processo a portas fechadas, informa um comunicado divulgado pelo Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk.

A reportagem procurou um porta-voz da junta militar para confirmar a notícia, mas não obteve respostas. O Mianmar está em crise desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021 que derrubou o governo de Aung San Suu Kyi, acabando com um breve período de democracia no país.

De acordo com uma ONG birmanesa, quase 2.300 civis morreram desde então e mais de 11.600 foram detidos da campanha de repressão para erradicar qualquer tipo de dissidência. "Ao recorrer à pena de morte como instrumento político para esmagar a oposição, os militares confirmam seu desprezo pelos esforços da ASEAN e da comunidade internacional para acabar com a violência e criar as condições de um diálogo político", afirmou Türk. O diplomata fez referência às tentativas da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) de atuar como mediador para acabar com a crise.

De acordo com a imprensa birmanesa, os sete estudantes condenados à morte, naturais de Yangon, foram detidos em abril sob a acusação de envolvimento em um tiroteio em um banco. "Impor a pena capital a estudantes é um ato de vingança por parte dos militares", afirmou o sindicato de alunos da Universidade de Dagon.

A ONU indicou que investiga as informações sobre outras quatro sentenças de morte anunciadas na quinta-feira contra jovens militantes. "O exército continua organizando julgamentos em tribunais secretos, em violação aos princípios básicos de um processo justo e em contradição com as garantias fundamentais de independência e imparcialidade", destacou o Alto Comissário da ONU.

Türk afirmou que as audiências nestes tribunais às vezes duram poucos minutos e os réus muitas vezes não contam com a assistência de um advogado e são proibidos de entrar em contato com seus parentes. Em julho, quatro pessoas foram executadas em Mianmar, nas primeiras aplicações da pena de morte em Mianmar nas últimas três décadas. 

Entre os executados estavam o ex-deputado Phyo Zeya Thaw e o ativista pró-democracia Kyaw Min Yu. Aung San Suu Kyi, 77 anos, foi condenada em diversos processos a 26 anos de prisão, em particular por acusações de corrupção que a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1991 nega.

(AFP)

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