Emagrecimento

Novo remédio para obesidade reduz em 24% o peso dos participantes dos testes

Resultados foram divulgados nesta segunda-feira (26); medicamento simula a ação de hormônios que diminuem o apetite e auxiliam na queima de calorias

Por Agências
Publicado em 26 de junho de 2023 | 19:48
 
 
 

Um remédio para tratar a obesidade foi responsável pela queda de 24% do peso das pessoas que participaram de um estudo com a substância, que teve os resultados divulgados nesta segunda (26).

A pesquisa ainda é preliminar, mas é um indicativo de que a droga pode ser uma nova ferramenta no controle da massa corporal entre pacientes com excesso de peso.

O artigo, publicado na revista The New England Journal of Medicine, investigou a retatrutide. A droga simula a ação de três hormônios que já são estudados pelos efeitos de diminuir o apetite e de auxiliar na maior queima de calorias. Uma dessas substâncias é o GLP-1, que manda sinais ao cérebro de saciedade. Além dele, a retatrutide é composta pelos GIP e GCC.

O novo estudo foi financiado pela farmacêutica Eli Lilly, que também desenvolve a droga. A amostra da pesquisa foi de 338 adultos com IMC (Índice de Massa Corporal) de no mínimo 30, número já considerado obesidade. Outra possibilidade era a pessoa contar com o índice no nível 27 unido a alguma condição associada a obesidade.

Os participantes foram divididos entre o grupo que recebeu placebo e outra parte que teve acesso ao remédio de verdade. Nesse segundo grupo, ainda houve separações com base na dosagem do medicamento. Por exemplo, alguns dos envolvidos receberam a droga com 1mg, enquanto outros chegaram a pesagem de no máximo 12mg.

O peso de cada um foi consultado no início da pesquisa e após 24 semanas. Depois, a medida foi novamente tirada em 48 semanas a partir do começo da investigação.

Então, as aplicações foram feitas uma vez por semana. Ao chegar aos dois períodos definidos do estudo, foi possível observar a redução de peso que a retatrutide causou em comparação àqueles do grupo placebo.

Em 24 semanas, os pacientes que chegaram a tomar a dose de 12mg apresentaram uma queda de 17%. O mesmo grupo, em 48 semanas, apresentou redução de 24% na massa corporal. A contração foi basicamente nula em quem utilizava o placebo: de 1,6% e 2,1%, respectivamente para cada período.

Entre aqueles que tiveram uma dosagem menor da retatrutide, como de 1mg, também houve queda no peso, mas em níveis baixos. Em 24 semanas, a redução foi de 7% e, no segundo período de medição, a queda foi de quase 9%.

Na conclusão, os pesquisadores apontam que a dosagem de 12mg foi responsável por uma queda substancial no peso dos participantes. Eles explicam que os dados encontrados para essa versão da retatrutide representa uma eficácia alta que é rara quando "comparada com achados de estudos clínicos de outros agentes anti-obesidade, mesmo que tenha sido observada com a cirurgia bariátrica".

Por exemplo, o wegovy, produzido pela Novo Nordisk e indicado para tratamento da obesidade, apresentou uma redução de 17% do peso corporal dos participantes em cerca de dois anos de uso durante um estudo clínico.

Embora promissor, novos estudos com a retatrutide são necessários já que a pesquisa recém-publicada é de fase 2. Nesse tipo de investigação, a amostra de participantes é menor e um dos enfoques principais é medir a segurança do fármaco.

Para aprovações em agências regulatórias, como a Anvisa, pesquisas de fase 3 são essenciais. Nelas, o número de participantes é muito maior e as conclusões, mais assertivas.

Efeitos colaterais

O artigo ainda traz dados sobre os efeitos colaterais que a substância causou nos participantes. De modo geral, eventos gastrointestinais, como vômitos e náuseas, foram os mais comuns. Eles foram relatados tanto no grupo placebo quanto naqueles que utilizaram o medicamento.

No entanto, alguns dos participantes que acessaram ao medicamento desistiu de continuar na pesquisa por conta dos efeitos, algo não observado no grupo placebo.

Os sintomas associados às substâncias eram principalmente leves ou moderados. Problemas mais sérios ocorreram, mas com índice igual entre os dois grupos: cerca de 4% dos participantes em cada uma das partes relatou eventos adversos mais graves.

(Samuel Fernandes / Folhapress)

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