Maioria muçulmana

Paquistão bloqueia Wikipédia por 'conteúdo blasfemo'; entenda

Facebook e YouTube também já foram bloqueados no país

Por Agências
Publicado em 04 de fevereiro de 2023 | 13:17
 
 
 
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Autoridades paquistanesas bloquearam a Wikipedia neste sábado(4) por hospedar "conteúdo blasfemo", o mais recente golpe contra os direitos digitais no país profundamente conservador.  A blasfêmia é uma questão delicada no Paquistão de maioria muçulmana. Gigantes da internet como Facebook e YouTube foram censurados por postar conteúdo considerado sacrilégio. 

A enciclopédia online foi bloqueada no país "por não responder às nossas repetidas mensagens para remover o conteúdo blasfemo no prazo indicado", disse à AFP Malahat Obaid, porta-voz da Autoridade de Telecomunicações do Paquistão (PTA). A PTA deu à Wikipedia até a noite de sexta-feira para remover esse conteúdo, embora não tenha fornecido mais detalhes. "Eles removeram parte do material, mas não todo", disse Obaid.  "Ele permanecerá bloqueado até que todo o material censurável seja removido." A reportagem no Paquistão não conseguiu acessar o site da Wikipedia em seu telefone celular neste sábado. 

A Fundação Wikimedia - organização sem fins lucrativos que administra a Wikipédia - afirmou que a decisão "nega acesso ao quinto país mais populoso do mundo ao maior repertório de conhecimento livre". "Se isso continuar, privará todos no Paquistão de conhecimento, história e cultura", disse a organização, em um comunicado. 

Defensores da liberdade de expressão há muito criticam a censura imposta por diferentes governos e seu controle da internet e da mídia.  “Simplesmente houve um esforço conjunto para exercer mais controle sobre o conteúdo da internet”, disse o ativista de direitos digitais Usama Khilji.  "O principal objetivo é silenciar qualquer dissidente", disse à reportagem. "Muitas vezes a blasfêmia é usada como arma para esse fim". 

Em 2010, o Paquistão bloqueou o Facebook por duas semanas devido a uma postagem supostamente blasfema. O YouTube ficou inacessível de 2012 a 2016 devido à divulgação de um filme amador islamofóbico que desencadeou protestos violentos em vários países.

(AFP)

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