Instabilidade

Peru: a cronologia de uma nova crise política

A destituição do presidente do Peru, Pedro Castillo, desatou fortes protestos na semana passada

Por Agências
Publicado em 13 de dezembro de 2022 | 23:20
 
 
 

A destituição do presidente do Peru, o esquerdista Pedro Castillo, pelo Congresso, desatou fortes protestos na semana passada, após o mandatário tentar dissolver o legislativo e governar por decreto.

Segue uma cronologia da nova crise política em um país assolado pela instabilidade institucional nas duas últimas décadas.

7 de Dezembro: aposta pela dissolução do Congresso

Em 7 de dezembro, Castillo, de 53 anos, em uma mensagem à nação transmitida pela televisão, dissolve o Congresso e diz que formará um governo de emergência, irá impor um toque de recolher noturno e que governará por decreto.

O anúncio ocorreu horas antes do Parlamento debater seu impeachment.

Tratava-se da terceira tentativa de destituição desde que Castillo, um professor rural, surpreendentemente tomou o poder das mãos da elite política tradicional, em julho de 2021.

A vice-presidente do Peru, Dina Boluarte, denunciou Castillo por tentativa de "golpe de Estado".

7 de dezembro: impeachment, vice assume

Os congressistas descartam a tentativa de Castillo de dissolver o Congresso e votam por esmagadora maioria por destituí-lo do cargo por "incapacidade moral".

Castillo é transferido para uma base da polícia no leste de Lima e é preso por "rebelião".

Boluarte, uma advogada de 60 anos, é empossada nas duas horas seguintes à votação do impeachment e se torna a primeira presidente mulher do Peru.

A nova presidente diz que tem a intenção de cumprir o restante do mandato de Castillo, até julho de 2026.

Centenas de manifestantes, alguns a favor e outros contra o destituído presidente, vão às ruas de Lima.

8 de dezembro: Suprema Corte 

Os Estados Unidos elogiam o Peru por garantir a "estabilidade democrática" e se comprometem a trabalhar com Boluarte.

Visivelmente nervoso, Castillo comparece diante da Suprema Corte por videoconferência. O juiz ordena que ele permaneça em detenção preventiva por sete dias.

10 de dezembro: aumento das manifestações 

As manifestações a favor de Castillo aumentam em todo o país com bloqueios de vias e queima de pneus.

Boluarte apresenta um novo gabinete, liderado pelo ex-promotor Pedro Angulo. Este gabinete, de perfil tecnocrático e independente, inclui oito mulheres entre os 19 ministérios.

11 de dezembro: dois manifestantes mortos

Os protestos se tornam sangrentos quando duas pessoas morrem e pelo menos cinco ficam feridas em Andahuaylas (sul) quando manifestantes tentam tomar o aeroporto da cidade.

A polícia entra em conflito com os manifestantes, que exigem uma greve nacional, novas eleições e a libertação de Castillo.

Os protestos aumentam, em especial em cidades andinas e do norte do país.

12 de dezembro: eleições antecipadas 

Boluarte anuncia que apresentará ao Congresso um projeto de lei para adiantar em dois anos as eleições. Também impõe o estado de emergência em algumas regiões do país.

Outros cinco manifestantes morrem durante protestos exigindo a renúncia da nova presidente, elevando para sete o número de falecidos.

13 de dezembro: Justiça rejeita libertar Castillo, greve é iniciada 

Castillo, acusado de "rebelião" e "conspiração", segue detido na Direção Nacional de Operações Especiais (Dinoes). Um tribunal rejeita seu recurso para revogar o mandado de prisão contra ele, que expira na quarta-feira, 14 de dezembro.

As forças armadas patrulham junto com a polícia as ruas de várias cidades sob estado de emergência.

As manifestações contra Boluarte continuam e há inúmeras estradas bloqueadas em 13 das 24 regiões do país.

Lima é palco de confrontos entre manifestantes radicais e policiais, enquanto os sindicatos agrários e indígenas iniciam uma "greve por tempo indeterminado" exigindo eleições gerais. (Com informações da AFP)

 

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