Guerra

Presidente do Irã pede que muçulmanos tratem Exército de Israel como terrorista

Raisi pediu que países armem os palestinos, se os ataques continuarem em Gaza

Por Agências
Publicado em 11 de novembro de 2023 | 11:13
 
 
 
normal

Lideranças árabes e o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, estão reunidos neste sábado (11 de novembro), na Arábia Saudita, em uma cúpula para alertar sobre a urgência de pôr fim aos ataques de Israel a Gaza e evitar uma conflagração regional do conflito. 

No encontro, o presidente Raisi pediu aos países muçulmanos que designem o Exército israelense como um "grupo terrorista" por sua operação militar na Faixa de Gaza e que "armem os palestinos", se "os ataques continuarem" em Gaza.

As reuniões de urgência da Liga Árabe e da Organização de Cooperação Islâmica aconteceriam em separado, mas o Ministério saudita das Relações Exteriores anunciou neste sábado pela manhã que seriam realizadas em conjunto.

A decisão ressalta a necessidade de alcançar "uma posição coletiva unificada que expresse a vontade comum árabe e muçulmana em relação aos acontecimentos perigosos e sem precedentes observados em Gaza e nos territórios palestinos", observou a agência de notícias saudita. 

A cúpula em Riade acontece cinco semanas depois do ataque de 7 de outubro, lançado pelo movimento palestino Hamas em solo israelense e que matou cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço revisto das autoridades do país. 

Desde então, Israel bombardeia sem cessar a Faixa de Gaza, controlada desde 2007 pelo Hamas. Seu Ministério da Saúde estima o número de mortos em mais de 11 mil pessoas, incluindo mais de 4.500 crianças. 

O vice-secretário geral da Liga Árabe, Hossam Zaki, disse na quinta-feira que, na cúpula, vão abordar "o caminho a seguir no cenário internacional para pôr fim à agressão, apoiar a Palestina e seu povo, condenar a ocupação israelense e responsabilizá-la por seus crimes". 

Relação Irã-Arábia Saudita

A Jihad Islâmica, aliada do Hamas em Gaza, disse não esperar "nada" da cúpula. 

"O fato de esta conferência ser realizada depois de 35 dias (de guerra) é uma indicação clara", disse o vice-secretário-geral do grupo, Mohammad al Hindi. 

Até agora, Israel e seu principal aliado, os Estados Unidos, rejeitaram os apelos por um cessar-fogo, uma posição que suscitará duras críticas na cúpula de Riade. 

O analista saudita Aziz Alghashian afirma que não se destacará apenas Israel, mas também aqueles que "facilitam a tarefa (…) ou seja, essencialmente os Estados Unidos e o Ocidente". 

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, chegou hoje a Riade, nesta que é sua primeira visita ao reino desde que ambas as potências regionais anunciaram, em março, o restabelecimento das relações diplomáticas após sete anos de ruptura. 

Teerã apoia o Hamas, assim como o Hezbollah libanês e os rebeldes huthis do Iêmen, que também lançaram hostilidades contra Israel, fazendo temer uma expansão do conflito. 

A monarquia saudita, que mantém laços estreitos com os Estados Unidos e pretendia normalizar suas relações com Israel antes da guerra, teme ser alvo destes confrontos, segundo analistas. 

O príncipe herdeiro e líder "de fato" do reino, Mohamed bin Salman, denunciou na sexta-feira (10 de novembro) as "contínuas violações do direito internacional humanitário por parte das forças de ocupação israelenses". 

"Os sauditas esperam que o fato de ainda não terem normalizado suas relações e de terem um canal (de comunicação) com os iranianos lhes dê alguma proteção", explicou Kim Ghattas, autor de um livro sobre a rivalidade iraniano-saudita, em uma mesa-redonda organizada pelo Arab Gulf States Institute, em Washington. 

E os iranianos esperam que estar em contato com os sauditas "também lhes ofereça certa proteção", acrescentou. (AFP)

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!