EUA

Preso é encontrado morto coberto de piolhos e fezes

Relatório feito por legistas aponta negligência no caso; homem não recebia seus remédios para esquizofrenia há um mês

Por Agências
Publicado em 22 de maio de 2023 | 21:39
 
 
 
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Um homem encontrado morto, coberto de piolhos e fezes, em uma prisão de Atlanta, sudeste dos Estados Unidos, estava desnutrido e desidratado, e fazia um mês que não recebia seu remédio para esquizofrenia, informou nesta segunda-feira (22) um legista privado.

O legista oficial do condado de Fulton, no estado da Georgia, disse em setembro que a causa da morte de Lashawn Thompson, 35 anos, era “indeterminada”. Mas Roger Mitchell, médico forense contratado pela família de Thompson, afirmou que ele foi "negligenciado até a morte” e classificou o ocorrido como “homicídio”.

A família de Thompson divulgou o novo relatório nesta segunda e seus advogados exigiram que autoridades assumissem a responsabilidade. “Por 93 dias, houve um grave abandono de um cidadão com doença mental”, declarou Ben Crump, famoso advogado de direitos civis, que já trabalhou em muitos casos de abuso policial contra afro-americanos.“Fica claro que isso não foi uma morte natural, e sim homicídio”, acrescentou.

Thompson, um morador de rua negro, foi detido em 12 de junho de 2022, quando dormia em um parque. Tinha uma ordem de prisão por roubo pendente, mas foi preso por “agressão”, supostamente ao cuspir em policiais. Sem dinheiro para a fiança, permaneceu na prisão.

Em seus dois primeiros meses preso, Thompson estava em bom estado, segundo o relatório de Mitchell. Mas, depois, os registros sobre seus cuidados se tornaram escassos, e, entre 11 de agosto e a sua morte, não há registro sobre se ele recebeu seus medicamentos, indica o documento.

Quando o legista pôde examinar o corpo do homem, dias após a sua morte, descobriu que ele estava desnutrido e desidratado, com uma infestação severa de piolhos, e havia perdido 18% de seu peso.

Crump exigiu das autoridades locais novas investigações, mas não acusou ninguém diretamente, nem apresentou nenhuma ação civil, como fez em casos anteriores envolvendo mortes nas mãos da polícia. (AFP)

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