GUERRA

Putin afirma que Otan participa no conflito na Ucrânia ao fornecer armas

Em contrapartida o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, voltou a prometer que seu país vai recuperar a Crimeia, uma península anexada por Moscou em 2014


Publicado em 26 de fevereiro de 2023 | 12:19
 
 
 

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou os países membros da Otan de participação no conflito na Ucrânia com o fornecimento de armas a este país e insistiu que o Ocidente deseja destruir a Rússia.

"Estão enviando dezenas de bilhões de dólares em armas à Ucrânia. Isto é realmente participação", afirmou Putin em uma entrevista ao canal Rossiya-1 exibida neste domingo. "Isto significa que estão participando, embora de forma indireta, nos crimes executados pelo regime de Kiev", disse Putin.

O presidente russo considera que os países ocidentais "têm apenas um objetivo: separar a ex-União Soviética e sua parte principal, a Federação Russa".

"Só então eles talvez nos aceitem na chamada família de povos civilizados, mas apenas separados, cada parte de modo separado", acrescentou.

Putin concedeu a entrevista à margem de um evento patriótico organizado na quinta-feira em Moscou, na véspera do aniversário de um ano do início da ofensiva militar russa contra a Ucrânia.

Na entrevista, o presidente russo reiterou seu apelo por um mundo multipolar e afirmou que não tem dúvida de que isto vai acontecer.

"Agora que as tentativas (dos Estados Unidos) de reconfigurar o mundo à sua própria semelhança - após a queda da União Soviética - levaram a esta situação, somos obrigados a reagir", concluiu.

Em contrapartida o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, voltou a prometer que seu país vai recuperar a Crimeia, uma península anexada por Moscou em 2014. "Há nove anos, a agressão russa começou na Crimeia. Ao recuperar a Crimeia vamos restaurar a paz. É nossa terra e nosso povo, nossa história", afirmou Zelensky no Telegram.

O Departamento de Estado americano agradeceu em um comunicado os "esforços da Ucrânia (...) para atrair a atenção mundial sobre a ocupação russa que continua". "O governo dos Estados Unidos não reconhece e nunca reconhecerá a suposta anexação russa da península", acrescenta a nota.

Em uma entrevista publicada neste domingo pelos jornais do grupo de comunicação regional alemão Funke, o vice-diretor do serviço de inteligência militar da Ucrânia, Vadym Skibitsky, declarou que Kiev prepara uma nova contraofensiva para a primavera (hemisfério norte, outono no Brasil).

"Um de nossos objetivos militares estratégicos é tentar abrir uma brecha na frente russa no sul, em direção à Crimeia", afirmou.

"Só vamos parar quando conseguirmos que nosso país volte às fronteiras de 1991. Esta é nossa mensagem para a Rússia e a comunidade internacional", acrescentou.

Skibitsky também disse que a Ucrânia pode bombardear bases militares na Rússia, como na região de fronteira de Belgorod, que já foi alvo de ataques.

(AFP)

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