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Reino Unido enfrenta nesta quarta-feira maior dia de greve em 11 anos

Paralisações ocorrem em diversos setores pela reivindicação de melhores salários contra a inflação de 10,5%

Por Agência
Publicado em 01 de fevereiro de 2023 | 08:18
 
 
 
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Escolas fechadas, trens paralisados, funcionários ausentes em vários ministérios. O Reino Unido vive nesta quarta-feira (1º) seu maior dia de greve em 11 anos, com paralisações em diversos setores, unidos pela reivindicação de melhores salários contra a inflação de 10,5%. 

Cerca de 20.000 escolas na Inglaterra e no País de Gales serão afetadas pelo primeiro dos sete dias de greves convocadas para fevereiro e março por professores do ensino infantil ao ensino médio, somando-se assim aos protestos que começaram meses atrás em muitos outros setores. 

A paralisação coincide com uma das muitas aprovadas por maquinistas de uma dezena de empresas ferroviárias e funcionários de 150 universidades. Também com a ação de cerca de 100 mil funcionários de ministérios, portos, aeroportos e até centros de exames de habilitação. No total, até 500.000 pessoas estão em greve. 

"Não quero ver os funcionários públicos em greve pelo impacto que tem em todos os outros (...) não só nas crianças mas também nas famílias, como é que os pais vão trabalhar?", lamentou o vice-ministro dos Transportes, Richard Holden, à Sky News.

Embora as greves prometam o caos para muitos, a generalização do teletrabalho desde a pandemia permite há meses que muitos trabalhadores evitem as paralisações ferroviárias, que não dão trégua. E evitam também a paralisação da atividade vivida na última greve massiva de servidores públicos no Reino Unido, em novembro de 2011, contra a reforma da Previdência. 

Como muitos, Katie Webb, funcionária de uma ONG de 23 anos, decidiu trabalhar em casa depois de reorganizar sua agenda. "Apoio as greves, os ferroviários merecem melhores salários", diz, considerando que as perturbações são pequenas em comparação ao que está em jogo.

Embora cada setor tenha suas demandas específicas, todos estão unidos para exigir aumentos salariais diante de uma inflação que está há meses acima de 10% (10,5% em dezembro) e deixa muitas famílias sem outra opção a não ser os bancos de alimentos.

Essa profunda crise levou os enfermeiros a realizar em dezembro sua primeira greve nacional nos mais de 100 anos de história do sindicato. Depois de uma negociação malsucedida com o governo conservador de Rishi Sunak, eles convocaram mais dois dias de greve em janeiro e outros dois em 7 e 6 de fevereiro.

Este último dia coincidirá com uma ação na Inglaterra e no País de Gales por equipes de ambulâncias no que pode ser a maior greve no sistema de saúde pública britânico, atormentado por anos de austeridade, desde sua criação em 1948. 

Apesar do caos provocado pelas greves incessantes, 59% dos britânicos apoiam a paralisação das enfermeiras, 43% apoiam os professores e 36% os ferroviários, de acordo com uma pesquisa do Public First publicada pelo Politico. 

O Executivo defende a necessidade de impor serviços mínimos em setores-chave e apresentou um projeto de lei cuja aprovação avança sem dificuldades no Parlamento. (AFP)

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