reino unido

Rishi Sunak é designado como novo primeiro-ministro britânico

Ex-ministro das Finanças é filho de imigrantes indianos e será o primeiro premiê procedente de uma minoria étnica a governar o país

Por Agência
Publicado em 24 de outubro de 2022 | 10:26
 
 
 

O bilionário Rishi Sunak foi designado pelo Partido Conservador britânico, nesta segunda-feira (24), para substituir Liz Truss como seu líder e próximo primeiro-ministro, já que sua adversária Penny Mordaunt não obteve apoio suficiente para apresentar uma candidatura. "Rishi Sunak foi eleito líder do Partido Conservador", anunciou o responsável pela bancada parlamentar, Graham Brady. 

Pouco antes, Mordaunt havia reconhecido sua derrota no Twitter e dado seu "pleno apoio" ao ex-ministro das Finanças de 42 anos, que se tornou o primeiro chefe de Governo de uma minoria étnica no Reino Unido. Dois meses depois de fracassar na primeira tentativa de liderar o Partido Conservador e comandar o governo, Sunak foi o único candidato com apoio suficiente, de pelo menos 100 deputados conservadores, ao final do prazo de candidatura, às 14h locais (10h de Brasília).

Sunak deve se pronunciar mais tarde. Ele e Truss devem se reunir com o rei Charles III para oficializar a nomeação do terceiro premiê britânico em dois meses. Em um comunicado divulgado no domingo à noite (23), Boris Johnson, de 58 anos, anunciou que tinha o apoio de pelo menos 100 deputados, mas que optou por não apresentar seu nome à sucessão de Liz Truss. 

Ela substituiu o então polêmico premiê em 6 de setembro passado, depois que ele foi obrigado por sua legenda a renunciar em julho na esteira de uma série de escândalos. "Não seria o correto. Não se pode governar com eficácia, se não há um partido unido no Parlamento", explicou o ex-líder conservador, cuja eventual candidatura dividia profundamente o partido.

Johnson estava de férias com a família na República Dominicana, quando Truss anunciou a renúncia na quinta-feira (20), abalada pelo caos financeiro provocado por suas polêmicas políticas fiscais após apenas um mês e meio no poder. No sábado (22), Johnson antecipou o retorno a Londres para sondar o terreno a respeito de um possível retorno político, mas acabou desistindo da ideia pela incapacidade de unir o partido.

A decisão abriu o caminho para Sunak, ex-ministro das Finanças de Johnson acusado por muitos de ter desencadeado a queda de BoJo em julho. Este bilionário e ex-executivo do setor bancário, neto de imigrantes indianos, que estudou nas escolas de elite britânica, será o primeiro chefe de Governo de religião hindu no momento em que começa o Diwali, importante festividade hinduísta muito popular entre a comunidade indiana britânica.

Mordaunt fracassa

Ontem, Mordaunt, de 49 anos, disse que prosseguiria com a tentativa de se tornar a quarta primeira-ministra da história do país, depois da efêmera Truss, e aplaudiu a renúncia de Johnson. "Ao tomar esta decisão difícil, colocou o país à frente do partido. E o partido à frente dele mesmo", tuitou nesta segunda-feira. Ela não conseguiu, porém, os apoios necessários.

A eleição de Truss em setembro já deixou claro que os filiados ao partido, em sua grande maioria homens brancos com mais de 50 anos, não votam com os mesmos critérios que os deputados conservadores. Defensor da ortodoxia orçamentária, Sunak é considerado por muitos parlamentares de direita como a pessoa adequada para tranquilizar os mercados e retirar o Reino Unido da crise econômica e social, agravada pelos planos ultraliberais de Truss em um momento de elevada inflação.

A oposição trabalhista, que tem grande vantagem nas pesquisas de intenção de voto, insiste em pedir a convocação de eleições antecipadas. Uma opção que teria o apoio da maioria dos britânicos. (AFP)

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!