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Rússia prende mulher acusada de matar blogueiro pró-Putin no fim de semana

A mulher, de 26 anos, é acusada de portar a estatueta explosiva que matou o blogueiro Maxim Fomin, conhecido pelo pseudônimo de Vladlen Tatarsky

Por Agências
Publicado em 03 de abril de 2023 | 15:49
 
 
 
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A Rússia prendeu, nesta segunda-feira (3), uma mulher acusada do ataque que matou no domingo, em São Petersburgo, um conhecido blogueiro militar defensor da invasão na Ucrânia, além de responsabilizar Kiev e apoiadores do opositor russo preso Alexei Navalny. Os investigadores anunciaram a prisão de uma mulher identificada como Daria Trepova, de nacionalidade russa e apresentada como ativista da Fundação Anticorrupção de Navalny, proibida na Rússia desde 2021. 

A mulher, de 26 anos, é acusada de portar a estatueta explosiva que matou o blogueiro Maxim Fomin, conhecido pelo pseudônimo de Vladlen Tatarsky. O caso foi classificado como uma "ação terrorista (...) planejada e organizada do território ucraniano", disse o Comitê de Investigação, que destacou as "opiniões de oposição" ao Kremlin de Trepova. 

Na sequência, a polícia divulgou um vídeo, no qual ela admite ter carregado a estatueta, recusando-se a dizer a procedência da bomba. Ela não faz qualquer menção à organização de Navalny. Preso há mais de dois anos, este ativista cumpre uma sentença de nove anos de detenção por fraude. Também é acusado de extremismo. 

O ataque "foi planejado pelos serviços especiais ucranianos, que recrutaram agentes entre os que colaboram com a chamada Fundação Anticorrupção de Navalny", anunciou o comitê antiterrorismo russo nesta segunda-feira. O porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, denunciou um "ato de terrorismo".

Também nesta segunda, Putin condecorou o blogueiro militar. Maxim Fomin recebeu, em homenagem póstuma, a Ordem da Coragem "pela coragem e bravura que demonstrou no exercício de sua profissão", declarou o Kremlin no decreto publicado em sua página institucional.

Questionado hoje sobre o caso, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, disse que estava muito ocupado, preocupando-se com seu país, para prestar atenção ao ataque na Rússia. Na véspera, Mikhailo Podoliak, conselheiro do ministro-chefe da Presidência ucraniana, desmentiu no Twitter qualquer envolvimento de Kiev. 

Após as acusações contra a organização de Navalny, seu porta-voz, Kira Yarmysh, denunciou um golpe organizado pelo Kremlin. "Alexei será julgado em breve por extremismo e pode pegar 35 anos (de prisão). E o Kremlin disse 'é ótimo poder acrescentar uma acusação de 'terrorismo'", tuitou. 

A Rússia está fazendo uma repressão implacável contra os críticos do Kremlin, em particular contra os que denunciam a intervenção militar na Ucrânia. De acordo com a agência de notícias Tass, a mulher presa hoje já ficou detida, por dez dias, em 2022, por se manifestar contra a ofensiva russa. 

O blogueiro Tatarsky morreu no domingo em um atentado a bomba em um café de São Petersburgo. No momento do ataque, ele discursava em uma conferência de uma organização de apoio à ofensiva russa na Ucrânia, chamada "Cyber Z Front".

O balanço mais recente é de 32 pessoas feridas na explosão, oito delas em estado grave. O café, onde ocorreu o atentado, pertence ao chefe do grupo paramilitar Wagner, Yevgeny Prigozhin, que declarou no Telegram nesta segunda-feira que o colocou à disposição da organização. 

O ataque lembra o que foi cometido em agosto contra Daria Dugin, grande defensora da guerra na Ucrânia e filha do ideólogo ultranacionalista Alexander Dugin. À época, a Rússia também acusou Kiev, que negou ter participado do assassinato. 

"Vamos matar todos"

Em oposição às autoridades russas, Prigozhin pareceu excluir que esses assassinatos tenham sido organizados pelos serviços especiais ucranianos. "Não acusaria o regime de Kiev desses atos. Acredito que um grupo de radicais está agindo", disse ele no canal de sua assessoria de imprensa no Telegram. 

O blogueiro, de 40 anos, era do Donbass, uma região no leste da Ucrânia e epicentro do conflito. Tatarsky, que se deslocava com frequência para a linha de frente do lado russo, tinha mais de meio milhão de seguidores no Telegram. 

Segundo a imprensa russa, ele foi preso na Ucrânia aparentemente por um assalto em 2011. Em 2014, aproveitando-se dos confrontos no leste da Ucrânia pelos separatistas pró-Rússia, escapou da prisão e se somou a esses combatentes. 

Em 2019, deixou as forças separatistas, segundo o jornal Kommersant, para se dedicar ao seu blog. Em setembro, seus comentários em uma celebração do Kremlin sobre a anexação de várias regiões ucranianas causaram tumulto. 

"Vamos ganhar de todo mundo, vamos matar todo mundo, vamos roubar quantas pessoas forem necessárias. Tudo do jeito que a gente gosta", afirmou, diante das câmeras.

(AFP)
                
 

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