desolação

Sírio busca 30 parentes soterrados por terremoto no norte do país

Uma família inteira se foi. É um extermínio, diz Malik Ibrahim, que já conseguiu retirar dez corpos de familiares dos escombros

Por Agências
Publicado em 08 de fevereiro de 2023 | 16:50
 
 
 
normal

Há dois dias, Malik Ibrahim dedica seu tempo a revirar os escombros de um prédio em Besnaya, no norte da Síria, em busca de 30 familiares soterrados após o forte terremoto que sacudiu a cidade, perto da fronteira com a Turquia.

Até o momento, com a ajuda de vizinhos e socorristas, ele conseguiu retirar dez corpos das ruínas. A cena desoladora de casas destruídas contrasta com a serenidade transmitida pelas oliveiras próximas.

Malik retira os entulhos um a um, com ajuda de uma pá ou com as próprias mãos, protegidas apenas por luvas. Ele busca seu tio, seu primo e as famílias dos dois.

Todos ficaram soterrados sob o teto e as paredes do edifício em que moravam, agora transformado em um emaranhado de entulho, coroado por placas solares.

"Uma família inteira se foi. É um extermínio", diz Malik Ibrahim à AFP, com o rosto pálido e coberto de poeira.

À medida que retira o entulho, este homem de 40 anos perde as esperanças e se desfaz em lágrimas. "Cada vez que tiramos um cadáver, me lembro dos bons momentos que passamos juntos; ríamos e fazíamos piadas", diz.

"Mas isso não voltará a acontecer. Estamos separados. Eles estão no além e nós, aqui. Não nos veremos mais", acrescenta.

Ao amanhecer de segunda-feira, quando o terremoto de magnitude 7,8 estremeceu a região, Malik, sua mulher e seus oito filhos fugiram de casa na cidade de Idlib.

Debaixo de uma chuva torrencial, ele se sentiu aliviado por estar vivo, assim como sua mulher e seus filhos.

Mas pouco depois, soube que seus familiares de Besnaya tinham tido um destino diferente.

Imediatamente, foi para esta cidade, a cerca de 40 km de sua casa, e desde então não voltou a dormir. "Restam vinte pessoas debaixo dos escombros. Não tenho palavras, é uma catástrofe. Nossas lembranças estão enterradas com eles. Somos um povo destroçado em todos os sentidos da palavra".

Malik Ibrahim conta que há anos foi obrigado a deixar sua antiga casa para se refugiar em Idlib por causa da guerra civil que desde 2011 deixou cerca de meio milhão de mortos na Síria.

Em meio às ruínas, dezenas de moradores, combatentes, voluntários e trabalhadores humanitários se reuniram com a esperança de encontrar sobreviventes.

Cada vez que tiram um deles, ouvem-se gritos de alegria. O terremoto, com epicentro registrado na Turquia, deixou ao menos 11.700 nos dois países, dos quais mais de 2.600 na Síria.

(AFP)
                
 

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!