EUA

Stormy Daniels diz que Trump não merecer ser preso

Atriz pornô, centro do caso que levou ao indiciamento do ex-presidente americano, falou pela primeira vez desde que ele se apresentou à Justiça

Por Agência
Publicado em 07 de abril de 2023 | 17:28
 
 
 
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A atriz pornô Stormy Daniels, que está no centro do caso que levou ao indiciamento de Donald Trump nos Estados Unidos, concedeu sua primeira entrevista desde que ele se apresentou à Justiça. Ela comemorou ter visto o ex-presidente virando réu e disse esperar que ele seja responsabilizado, mas não acredita que Trump mereça ser preso por seu caso especificamente.

"Não acho que os crimes dele contra mim sejam dignos de prisão", afirmou ela em entrevista publicada nesta quinta-feira (6) pela Fox Nation. "Eu sinto que as outras coisas que ele fez, se ele for considerado culpado, absolutamente".

Daniels, cujo nome verdadeiro é Stephanie Clifford, celebrou o que descreveu ter sido um "rei sendo destronado" ao assistir Trump entrar no tribunal de Manhattan na terça-feira. "Achei que ele iria se safar e não ser responsabilizado", disse. "Ele não é mais intocável, ninguém deveria ser intocável. Não importa qual seja a descrição do seu trabalho, se você é o presidente, você deve ser responsabilizado por suas ações".

Trump se declarou inocente das 34 acusações de falsificação de registros financeiros feitas contra ele e tornadas públicas depois que ele se entregou à Justiça na terça-feira. Segundo a promotoria de NY, o objetivo de Trump ao cometer essa fraude seria esconder ao menos três de seus casos extraconjugais do público, antes da eleição americana de 2016, por meio do suborno das pessoas envolvidas.

O caso começou com um pagamento clandestino de US$ 130 mil que o agente de Trump, Michael Cohen, fez à Stormy Daniels, nos últimos dias da campanha de 2016. Além da estrela pornô, também teriam recebido dinheiro de Trump: a ex-modelo da Playboy Karen McDougal e um porteiro da Trump Tower que dizia ter provas de que o republicano teve um filho fora do casamento.

Ao ver Trump entrar no tribunal, ela disse que teve uma "mistura de emoções", mas principalmente tristeza e choque. "Fui a faísca que deu a primeira explosão". Ela afirmou que concordaria em testemunhar contra Trump em um próximo julgamento e disse não ter ódio do ex-presidente "apenas pena".

Os advogados de Trump têm até agosto para apresentar contestações ao processo e outras fases ainda devem se arrastar por meses, coincidindo com a campanha eleitoral para 2024, em que Trump já se lançou como candidato. Trump diz que não há nada ilegal contra ele e que o caso é uma perseguição política.

A falsificação de registros contábeis pode ser considerada uma contravenção, que normalmente não resultaria em prisão. Mas se torna crime - resultando em até quatro anos de prisão - se houver a intenção de cometer ou ocultar um segundo delito. Segundo o promotor público de Manhattan Alvin Bragg, os falsos registros contábeis de Trump tinham a intenção de encobrir supostas violações das leis eleitorais estaduais e federais.

O comparecimento do ex-presidente ao tribunal na terça - algo sem precedentes na história americana - foi apenas um passo no que provavelmente será um longo processo legal. Nas próximas etapas, a defesa de Trump tentará convencer o juiz do caso, Juan Merchan, a arquivar a denúncia. Caso isso não ocorra, durante as audiências que antecedem o julgamento, Trump terá de se declarar perante a Corte se é culpado ou inocente. Se não houver acordo entre defesa e acusação, o caso vai a júri popular. Por ser réu primário e idoso, dificilmente Trump será condenado à pena máxima, já que há atenuantes, segundo juristas americanos.

O caso de Nova York, porém, é apenas uma das muitas preocupações legais que Trump enfrenta. Os promotores da Geórgia estão investigando as tentativas de Trump e seus aliados de anular sua derrota nas eleições de 2020 no Estado. Também há uma investigação federal que avalia se documentos secretos do governo foram submetidos a manipulação criminosa na mansão de Trump na Flórida. E por último, e talvez a mais grave, tentativas do ex-presidente e seus aliados revogar os resultados das eleições presidenciais no nível federal. (ESTADÃO CONTEÚDO)

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